Casas devolvem dignidade a famílias carentes
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domingo, 13 de agosto de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
A miséria do bicho-homem, na imundície do pátio, catando comida do lixo, indignou o poeta Manuel Bandeira. Supõe-se que o homem morava em um barraco uma casa muito engraçada, que não tinha teto, não tinha nada, e onde ninguém podia entrar porque não tinha chão. Pois essa casa deu lugar a uma outra, concreta. De posse da nova moradia, o homem ganhou dignidade e conseguiu um trabalho passou a ajudar a construir outras casas.
Brincadeiras literárias à parte, foi mais ou menos isso que ocorreu com as dezenas de famílias beneficiadas pelo projeto Onde Moras. O projeto acaba de anunciar a construção de mais 28 casas no Jardim São Jorge, em Londrina. Com isso, somam-se 79 moradias desse programa no bairro, sendo que 12 delas serão entregues nos próximos dias.
O idealizador e coordenador do projeto, engenheiro Maurício Costa, acredita que é possível promover a reinserção dos sem-teto à sociedade através da moradia. ''Uma pessoa que mora em um barraco está excluída da sociedade, vivendo em condições sub-humanas. A partir do momento em que ela tem uma casa, melhora não só sua auto-estima, mas a sua dignidade. Ela se reintegra à sociedade, e isso se reflete principalmente nos filhos'', analisa.
Criado há dez anos com a idéia de reaproveitar materiais de residências demolidas para construir casas para pessoas carentes, o projeto já entregou 151 casas 91 em Londrina, 30 em Ibiporã, 20 em Assaí e 10 em Jataizinho. No início, os moradores construíam a própria moradia, usavando basicamente material reaproveitado. O projeto foi sendo melhorado gradativamente, e, hoje, a casa é edificada também com materiais novos, tem reboco e até uma demão de tinta. Quem constrói continuam sendo os moradores da região, mas são todos profissionais pagos para executar o trabalho. Um membro de cada família também é designado para ajudar.
Para ser beneficiada pelo programa, a família precisa ter renda máxima de um salário mínimo e estar em um lote de terras regularizado. Não pode haver mais de um barraco no mesmo terreno. O Onde Moras ainda é uma alternativa econômica a quem pretende demolir um imóvel. Pessoas ligadas ao projeto desmancham a construção de modo que até 70% do material possa ser reaproveitado, e o proprietário só precisa arcar com a retirada do entulho restante.
Uma casa com 40 metros quadrados, divididos em dois quartos, sala, cozinha e banheiro, custa hoje R$ 10 mil. Nesta que é considerada a terceira fase do projeto, o programa conta com o apoio da Caixa Econômica Federal, que destina recursos do fundo perdido, arcando com R$ 8,5 mil de cada moradia, além do Ministério das Cidades e da Cohab. O restante é arrecadado pelo Onde Moras.
Além disso, duas grandes doações alavancaram a construção das casas este ano: R$ 110 mil, provenientes de duas subseções do Rotary Club, e R$ 100 mil em mercadorias cedidas pela Receita Federal. Com isso, o projeto deve entrar em uma escala quase industrial de construção. ''Queremos aumentar gradativamente a quantidade de casas entregues até chegar a uma média de 40 moradias ao mês no final do ano'', prevê Costa.
Serviço:
Quem quiser fazer uma doação para o Onde Moras pode ligar para (43) 3344-2339


