Moradias do conjunto Paulo Godóy, construídas há pouco mais de três anos em Cascavel, no bairro Santa Cruz (zona oeste), estão ‘‘caindo de podre’’, segundo expressão dos próprios moradores. O conjunto construído pela Companhia de Habitação do Paraná em parceria com a prefeitura, tem 344 unidades de 52 metros quadrados, e em apenas parte delas foram realizados reparos parciais por uma das duas empreiteiras contratadas - a outra não existe mais.
As casas foram iniciadas no governo de Roberto Requião (PMDB) e concluídas no governo de Jaime Lerner (PFL). ‘‘A situação de muitas famílias é de desespero, porque há casas caindo de podre e ninguém assume o problema’’, relatou Orlei Rocha, 39 anos, vice-presidente da associação de moradores. Pai de dois filhos, desempregado, ele paga prestação equivalente a 20% do salário mínimo (em 25 anos), que admite ser ‘‘irrisória’’, mas comenta que a qualidade da construção ‘‘é absurda’’. Pouco depois de ocupar a casa, Orlei já observou rachaduras e infiltrações nas paredes e telhado.Edson MazzettoDesesperoVice-presidente
da associação
de moradores,
Orlei Rocha,
mostra o
reboco
caindo e
a fiação
que teve
que arrancar
de sua
casa
Depois de inúmeras reclamações a Cohapar, ele próprio decidiu ‘‘encher de massa para amenizar o problema’’, e substituiu toda a fiação de energia. ‘‘Se a gente ligava o chuveiro, caía a luz’’. Em moradias onde foram realizadas reformas por uma das empreiteiras ‘‘ficou pior que antes’’, garantiu. A responsabilidade técnica de construtoras sobre obras que executam é de 5 anos, ‘‘e depois vai ser difícil responsabilizar alguém’’, salientou Orlei Rocha.
O vice-presidente da associação relata que o prefeito Salazar Barreiros (PPB) sugeriu aos moradores que depositassem as prestações em juízo, para que os recursos sejam destinados à reformas. Esta deve ser a opção de Vera Lúcia Menegotto, 29 anos, três filhos, em cuja casa ‘‘jorra água pelo telhado’’, há rachaduras por todos os lados, as paredes estão completamente úmidas por dentro e o reboco está caindo.
Vera conta que seu marido, que é pedreiro, descobriu que a tubulação do esgoto era ‘‘falsa’’, com um tubo de apenas 1 metro de comprimento que não chega à fossa. A fiação elétrica também teve que ser substituída, e uma das duas portas não abre mais, porque a parede rachou e comprimiu os batentes. Para agravar ainda mais a situação, foi constatado que a edificação ‘‘não tem vigas, colunas, alicerces e nem sequer um ferro’’, acrescentou a mulher.
‘‘Quando o lotação passa ou dá trovão, treme tudo e é melhor sair pra fora, porque ficamos com com medo de que a casa caia’’, diz Vera. Segundo ela, um engenheiro que fez inspeção no conjunto ironizou a situação, dizendo que reparar todos os problemas ‘‘levaria uns dez anos’’. Além disto, ela teme que ‘‘ninguém assuma a responsabilidade’’, porque uma das empreiteiras (a Pena Branca) ‘‘já desapareceu’’, e a outra (a Cial) ‘‘só fez remendos’’.
A tentativa de solucionar os problemas do conjunto Paulo Godóy já virou uma batalha, disse ontem a chefe da Cohapar em Cascavel, Carmen Lúcia Junqueira, explicando que as moradias foram construídas pelo programa Casa da Família, por empreiteiras contratadas pela prefeitura, e a ela cabe exigir as reformas. ‘‘Já fizemos várias notificações ao Município’’, relatou Carmen. ‘‘De uma ou outra forma os problemas terão que ser resolvidos’’.

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