Casas de conjunto ameaçam desabar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Paulo Pegoraro 
Moradias do conjunto Paulo Godóy, construídas há pouco mais de três anos em Cascavel, no bairro Santa Cruz (zona oeste), estão caindo de podre, segundo expressão dos próprios moradores. O conjunto construído pela Companhia de Habitação do Paraná em parceria com a prefeitura, tem 344 unidades de 52 metros quadrados, e em apenas parte delas foram realizados reparos parciais por uma das duas empreiteiras contratadas - a outra não existe mais.
As casas foram iniciadas no governo de Roberto Requião (PMDB) e concluídas no governo de Jaime Lerner (PFL). A situação de muitas famílias é de desespero, porque há casas caindo de podre e ninguém assume o problema, relatou Orlei Rocha, 39 anos, vice-presidente da associação de moradores. Pai de dois filhos, desempregado, ele paga prestação equivalente a 20% do salário mínimo (em 25 anos), que admite ser irrisória, mas comenta que a qualidade da construção é absurda. Pouco depois de ocupar a casa, Orlei já observou rachaduras e infiltrações nas paredes e telhado.Edson MazzettoDesesperoVice-presidente
da associação
de moradores,
Orlei Rocha,
mostra o
reboco
caindo e
a fiação
que teve
que arrancar
de sua
casa
Depois de inúmeras reclamações a Cohapar, ele próprio decidiu encher de massa para amenizar o problema, e substituiu toda a fiação de energia. Se a gente ligava o chuveiro, caía a luz. Em moradias onde foram realizadas reformas por uma das empreiteiras ficou pior que antes, garantiu. A responsabilidade técnica de construtoras sobre obras que executam é de 5 anos, e depois vai ser difícil responsabilizar alguém, salientou Orlei Rocha.
O vice-presidente da associação relata que o prefeito Salazar Barreiros (PPB) sugeriu aos moradores que depositassem as prestações em juízo, para que os recursos sejam destinados à reformas. Esta deve ser a opção de Vera Lúcia Menegotto, 29 anos, três filhos, em cuja casa jorra água pelo telhado, há rachaduras por todos os lados, as paredes estão completamente úmidas por dentro e o reboco está caindo.
Vera conta que seu marido, que é pedreiro, descobriu que a tubulação do esgoto era falsa, com um tubo de apenas 1 metro de comprimento que não chega à fossa. A fiação elétrica também teve que ser substituída, e uma das duas portas não abre mais, porque a parede rachou e comprimiu os batentes. Para agravar ainda mais a situação, foi constatado que a edificação não tem vigas, colunas, alicerces e nem sequer um ferro, acrescentou a mulher.
Quando o lotação passa ou dá trovão, treme tudo e é melhor sair pra fora, porque ficamos com com medo de que a casa caia, diz Vera. Segundo ela, um engenheiro que fez inspeção no conjunto ironizou a situação, dizendo que reparar todos os problemas levaria uns dez anos. Além disto, ela teme que ninguém assuma a responsabilidade, porque uma das empreiteiras (a Pena Branca) já desapareceu, e a outra (a Cial) só fez remendos.
A tentativa de solucionar os problemas do conjunto Paulo Godóy já virou uma batalha, disse ontem a chefe da Cohapar em Cascavel, Carmen Lúcia Junqueira, explicando que as moradias foram construídas pelo programa Casa da Família, por empreiteiras contratadas pela prefeitura, e a ela cabe exigir as reformas. Já fizemos várias notificações ao Município, relatou Carmen. De uma ou outra forma os problemas terão que ser resolvidos.


