Casas de apoio recorrem às empresas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de setembro de 1998
Paulo Grein 
Especial para a Folha
Casas de apoio de Curitiba e Região Metropolitana estão reclamando da falta de apoio do governo. As instituições estão dependendo cada vez mais do apoio da comunidade e da iniciativa privada. A Fundação de Ação Social, entidade responsável por manter convênios junto as instituições de Curitiba, alega que faltam recursos para atender a todas as entidades, e que muitas não têm estrutura necessária para receber ajuda.
É a realidade da Casa de Recuperação Água da Vida, em Campo Largo, que atende a aproximadamente 50 pessoas entre 15 e 75 anos, entre viciados e portadores de HIV, e vem passando por dificuldades. A instituição vive exclusivamente da ajuda da comunidade e já acumula dívidas de cerca de 2 mil reais. Segundo o pastor Flávio de Almeida Lemos , diretor da casa, a ajuda da comunidade não chega a cobrir 20% dos gastos mensais da instituição. Encontrar entidades filantrópicas em dificuldades financeiras não é difícil.
A Casa de Recuperação Esperança, em Pinhais, que há três anos atende cerca de 50 pessoas na recuperação de dependência de álcool e drogas, espera ajuda há dois anos. Promessa é o que mais tem e nós estamos esperando que algo aconteça, diz o diretor, Alan Martins Correia. Segundo Correia, as dificuldades começam na hora de pagar o aluguel, de R$ 1,3 mil. A gente precisa se desdobrar, organizar eventos, jantares e convocar os sócios-mantenedores para levantar os recursos,afirma o diretor.
Segundo informações da FAS, a partir desse ano a verba federal destinada a essas instituições, provenientes do Fundo Nacional de Assistência Social do Ministério da Previdência e Assistência Social, começou a ser municipalizada em algumas cidades, como em Curitiba. Mas a relação dos convênios com entidades de apoio continua a mesma de quando a verba vinha do governo federal e os municípios só poderão fazer uma nova seleção no ano que vem.
O diretor de Desenvolvimento Social da FAS, Erotildes Antunes Xavier, afirma que a fundação estabelece critérios de prioridade que vão até o limite dos recursos. Xavier argumenta que muitas entidades não têm condições de receber auxílio, por não ter um projeto de atendimento definido, falta de documentação ou de estrutura.
Algumas entidades estão procurando ajuda na iniciativa privada como forma de garantir o atendimento aos necessitados. É o caso da Associação dos Deficientes Físicos do Paraná, que gera suas receitas pela terceirização de mão-de-obra junto a autarquias como Copel, Correios, além da iniciativa privada. A associação tem 220 deficientes empregados. Segundo o diretor administrativo da associação, Rui de Lima Bueno, a subvenção do governo estadual não chega a 5% do orçamento total da entidade, mesmo assim a burocracia é muito grande e geralmente recebemos com atraso.


