Casas de apoio estão sempre lotadas
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Há mais de um mês o agricultor José Rodrigues, 75 anos, mora com a esposa Vanderli de Souza, 39, na Casa de Apoio Lucilla Ballalai, mantida pelo Hospital do Câncer de Londrina. Natural de São João do Ivaí (75 km ao sul de Apucarana), ele faz sessões diárias de cobaltoterapia no hospital para tratar de um tumor na laringe e só deve voltar para casa, em definitivo, no final do mês.
''Aqui a gente é muito bem zelado. Melhor lugar, só no céu'', avalia o paciente, que aos fins de semana visita o enteado na cidade natal, mas retorna a Londrina nas manhãs de segunda-feira. ''Quando chegamos aqui, ele estava mal mesmo e eu nem tinha esperanças, mas agora tudo mudou'', completa a esposa do agricultor, definindo a casa de apoio como uma benção para o casal. ''Ficar aqui ajuda muito no tratamento. Parece até que estamos na nossa casa.''
A Casa de Apoio Lucilla Ballalai é uma das quatro entidades londrinenses que atendem pacientes em tratamento fora do domicílio de origem. Nos mesmos moldes funcionam na cidade as casas de apoio Esperança, Madre Leônia e a do Hospital Universitário, que atualmente está fechada.
Ao todo são 85 leitos disponíveis em Londrina, dos quais 73 estão quase sempre ocupados, já que as 12 acomodações da unidade do HU não estão sendo utilizadas no momento por falta de verbas para o pagamento de duas funcionárias que trabalharam no local até o fechamento, em junho de 2005.
Mantidos pelos hospitais, os centros de apoio do Hospital do Câncer e do HU são os únicos que recebem uma contrapartida, além das eventuais doações e promoções. Já as casas Esperança e Madre Leônia são totalmente custeadas pela iniciativa privada.
Depois de passar por uma triagem com um profissional do setor de serviço social do hospital onde é atendido, o paciente é encaminhado a um dos centros de apoio, onde permanece até o final do tratamento. Nas casas, o doente tem cama confortável, banho quente, comida à vontade, além de acompanhamento psicológico e até acesso a terapias ocupacionais. ''É o que chamamos de humanização do atendimento, pois as famílias ficam desgastadas quando o doente passa por um período longo de internação'', explica a assistente social Renicler de Assis, do HU.
A situação é agravada no caso de portadores de câncer, assinala a assistente social Celestina Campos, do HC. ''Mais de 90% dos pacientes do hospital vêm de fora de Londrina'', calcula Celestina, ressaltando que a casa de apoio atende pelo menos 300 municípios da região e ''está sempre cheia''.
Construída pelo Comitê Solidário da Sercomtel, a nova Casa de Apoio Lucilla Ballalai foi entregue em abril do ano passado, mas o hospital já contava com a unidade desde outubro de 1983. ''O hospital precisou do prédio para ampliar o laboratório e o arquivo e o serviço funcionou por quatro anos numa casa alugada'', conta a assistente social.
Segundo ela, o novo espaço conta com 20 leitos e é coordenado pelo setor de serviço social do HC. A maioria dos ocupantes é formada por pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e grande parte é idosa que, por lei, tem direito a um acompanhante durante o internamento.
Três funcionários são responsáveis pela limpeza e pelo cuidado com os pacientes e uma equipe de 40 voluntários dá atenção especial aos doentes, com orações, recreações e cafés da tarde recheados de frutas, pães, bolos e refrigerantes. ''Eles também auxiliam na compra de remédios'', reforça Celestina.
Conforme ela, com a lei que garante acompanhamento aos idosos, a demanda por lugares para familiares aumentou bastante, ''mas todos que nos procuram são atendidos'', garante. Quando todos os leitos estão ocupados, o HC encaminha pacientes para as casas de apoio Esperança e Madre Leônia, que trabalham preferencialmente com portadores de câncer.
Serviço- Contatos com a Casa de Apoio Lucilla Ballalai pelos fones (43) 3379-2630 ou 3343-3300. Informações sobre a Casa de Apoio Esperança pelo fone (43) 3028-8914. A Casa de Apoio Madre Leônia atende no número (43) 3342-2995 ou pelo site www.casadeapoiomadreleonia.org.br. E para ajudar a reabrir a Casa de Apoio do Hospital Universitário contate (43) 3322-5349, (43) 3324-8721 ou (43) 3371-2256.


