Quem sofre com o problema de vazão das águas pluviais são os moradores do bairro Afonso Pena 2. Segundo eles, desde que a obra do novo aeroporto começou, o Córrego Ressaca que passa pelo bairro, enche toda vez que chove. Várias casas estão com as paredes rachadas e ameaçam cair.
A casa da dona-de-casa Reni Angelina Ferreira de Oliveira, está com uma parte ameaçada. Ela mora com uma irmã na Rua Bélem, 396. A rachadura chega a mais de dois centímetros e é a parede externa do quarto da casa. ‘‘Moramos sozinhas e temos medo de a parede desabar com a próxima chuva. A gente não tem para onde ir.’’
O casal de aposentados Sofia e Otaviano Dall Igna, com renda mensal de R$ 232,00, está tentando arrumar emprego de caseiro no litoral do Estado. ‘‘A gente não arruma emprego por aqui e em Curitiba parece que é pior. Eu tenho 61 anos e meu marido, 80. Se a gente conseguir sair daqui, fecho a casa com tudo dentro e vamos embora. Não aguentamos mais ficar esperando o muro e a parede da casa caírem no rio’’, lamentam.
Numa tentativa de provar as ameaças das águas, a dona-de-casa Marli das Graças Machado Nunes, tira fotografias da rua e do córrego que passa bem na divisa com o terreno onde mora. ‘‘Esperamos encontrar uma solução para este problema mas ninguém se responsabiliza pelas enchentes. Ainda vamos tentar vender a casa e mudar logo daqui.’’
Os moradores tentam culpar os responsáveis pela obra do novo terminal do Aeroporto Afonso Pena, inaugurado em 96. No entanto, o superintendente da Infraero, João Roberto de Paula, garante que todas as providências para canalizar as águas pluviais, foram tomadas.
‘‘Na divisa patrimonial do aeroporto foram feitas obras de impermeabilização, devidamente aprovadas pelos técnicos. A captação de águas pluviais foi solucionada com a canalização até a bacia do Iguaçu e do lado de trás do aeroporto, para o Rio Pequeno’’, defende de Paula.
Segundo o superintendente, a prefeitura de São José dos Pinhais teria que dar continuidade ao serviço de limpeza das valas de drenagem. ‘‘Outro detalhe importante é a não obediência, por parte dos moradores, do limite de construção nas proximidades dos córregos’’, alega.

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