Casas atendem estudantes do interior
Maigue Gueths
De Curitiba
Estudantes do interior ou de outros estados que passarem nas universidades de Curitiba e precisarem de um local acessível e familiar para morar devem começar a se mexer desde já para fazer suas inscrições e concorrer a uma das cerca de 170 vagas que devem ser abertas nas cinco casas de estudantes existentes na capital. Destas, 120 são para homens, 40 para mulheres e outras 20 para ambos os sexos. As mensalidades são atraentes, variando entre R$ 20,00 e R$ 75,00. Em troca, as tarefas e obrigações são divididas entre os moradores. Apesar disso, ao fazer um balanço das vantagens e dificuldades de se morar nessas casas comunitárias, os alunos são praticamente unânimes em ressaltar o lado bom da experiência.
A maioria aceita estudantes de todas as universidades, com exceção da Casa da Estudante Universitária (Ceuc), que é da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e só aceita estudantes desta instituição. A Casa do Estudante Universitário (CEU) e o Lar das Acadêmicas de Curitiba (LAC) são autônomos. Já a Casa do Estudante Luterano Universitário (Celu) é ligada à Igreja Luterana, e a Casa do Estudante Nipo Brasileiro de Curitiba (Cenibra) é da Sociedade Brasileira Nipo Brasileira, mas ambas estão abertas a estudantes de todas as religiões e descendências. Em todos os casos, é dada prioridade para estudantes carentes, que não morem em Curitiba e que mostrem, em entrevista, capacidade para adaptar-se à vida em grupo.
Em todas as casas, quem manda mesmo são os estudantes. A administração é feita pelos moradores, que elegem anualmente suas diretorias e conselhos para encabeçar este trabalho. Funcionários cuidam apenas da cozinha e da limpeza das áreas externas de uso comum, enquanto os moradores fazem parte de departamentos encarregados de setores como a limpeza, alimentação, comunicação, eventos, festas etc. A casa tem regras e se todos souberem se respeitar não há nenhum problema, diz Rose Maria Duda, do 4º ano de Engenharia Química e moradora há dois no LAC.
Até mesmo a necessidade de dividir um banheiro com outras 17 colegas não abala a estudante de Enfermagem na UFPR, Cleide Straub, presidente e moradora há três anos na Ceuc. Não dá fila porque cada um tem um horário e a convivência é sempre tranquila, garante.
Na Cenibra, cada quarto para duas pessoas tem seu próprio banheiro. Para Rogério Itiro Yamanishi, do 3º ano de Engenharia Civil da UFPR, e morador da Cenibra desde o cursinho, viver em comunidade é uma lição de vida. Sair de casa foi difícil, mas aqui a gente tem outra família, diz. Até quem mora na Celu e têm que fazer mutirões de limpeza nos finais de semana não reclama. Odair Monteiro, do 4º ano de Engenharia Química da Federal chegou a morar em casa alugada com amigos, mas prefere a Celu. Na casa saía mais caro e aqui eu tenho o mesmo conforto. Acho que não ía achar nada melhor, diz, o que é endossado por seu colega Bruno Cezar Paes de Lira, do 4º ano de Agronomia. A troca cultural é muito grande e o convívio faz as pessoas crescerem.
Mesmo os moradores da CEU, que tem 400 vagas, não acham ruim morar entre tanta gente. Todo mundo aqui dentro tem obrigação, como arrumar o quarto, lavar a roupa, trabalhar no final de semana, mas vale a pena, diz o mineiro Benedito Fagundes, estudante do 2º ano de Letras Português-Inglês na Tuiuti e morador da casa há dois anos.





