Um vazamento de água no encanamento da calçada é a suposta causa de rachaduras em duas casas na Rua José Vargas, no Conjunto Eucaliptos (Zona Leste de Londrina). Os imóveis ameaçam desabar. Os moradores detectaram o problema na manhã de segunda-feira. Técnicos da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) e da Sanepar estiveram no local e estão investigando o que provocou os danos nos imóveis.
A situação da dona de casa Maria Aparecida Carvalho Costa, 41 anos, é a mais grave. Ela e o filho mudaram-se para uma dependência nos fundos do terreno porque parte da sala está mantida por escoras. ''Levanto de manhã, olho para isso e dá vontade de chorar. Se eu tivesse dinheiro, consertava depois botava na mão de um advogado. Mas nem isso eu posso'', queixou-se.
Por enquanto, ela divide o quarto com o filho. O marido é caminhoneiro e está há mais de 15 dias no Nordeste. Moradora do imóvel há sete anos, Maria Aparecida revela que as reformas feitas na casa são anteriores. Mas acredita que o vazamento na rua possa ter provocado as rachaduras.
A estrutura da casa vizinha também foi abalada. O portão está torto e escoras mantêm a área de entrada em pé. O protético Hamilton Rabello Ferreira, 43, disse que técnicos das companhias de água e de habitação estiveram na residência dele, mas não teriam dado explicações sobre o que aconteceu. ''Me deram um monte de papelada para preencher. Ninguém quer assumir a culpa pelas rachaduras. Enquanto eles (Cohab-Ld e Sanepar) ficam empurrando a responsabilidade para o outro, as paredes estão rachando'', criticou.
Pelo ritmo das apurações, a revolta de Ferreira deve durar mais algum tempo. Tanto a Cohab-Ld quanto a Sanepar estão avaliando de quem é a responsabilidade. O presidente da companhia de habitação, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, disse que técnicos voltariam até o final da tarde de ontem ao local para avaliar a situação dos imóveis.
Apenas Maria Aparecida entrou com processo oficial na instituição, que pretende acionar a seguradora. ''A casa sofreu um aumento, que não faz parte do contrato do seguro. Por isso, a situação tem de ser verificada'', advertiu Afonseca.
O gerente geral da Regional Metropolitana da Sanepar, Sérgio Bahls, disse que a empresa está investigando se o vazamento tem relação com as rachaduras das casas. ''Recomendamos que os moradores façam um requerimento para, na hipótese de que a Sanepar tenha culpa (pelas rachaduras), seja aberto um processo de ressarcimento'', orientou.

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