Casas-abrigo tentam oferecer uma vida digna
A reportagem visitou uma casa-abrigo mantida pela Prefeitura de Londrina e logo o entrosamento entre o psicólogo e os jovens amparados foi percebido. Manifestações de carinho demonstram que os jovens são bem assistidos.
Mesmo com histórias tristes - não se pode dimensionar qual a pior - meninos como Paulo (nome fictício), 15 anos, pensam num futuro melhor. Com três irmãos em outra instituição, ele tem a esperança de voltar para casa. ''Sinto falta da minha mãe e dos meus irmãos.''
Em outra situação, dez irmãos da mesma família foram mantidos em abrigos desde pequenos. São filhos de andarilhos que ainda vivem nas ruas. Duas meninas constituíram famílias. O irmão mais velho está preso, quatro estão numa instituição, dois em outra e um deles está escondido, ameaçado de morte. Os abrigados têm entre 5 e 16 anos.
Em Londrina são três casas-abrigo mantidas pela prefeitura e quatro instituições que se encarregam de oferecer um lar para pequenos e outros tantos quase adultos. Em todas elas, projetos e atividades tentam oferecer uma vida mais digna.
Enquanto a sorte bate à porta da minoria, a maioria vai aprendendo a viver da melhor forma possível. Projetos como Sinal Verde (que resgata crianças e adolescentes das ruas) e o serviço do Conselho Tutelar e Ministério Público dão suporte para o trabalho dessas instituições. A média de permanência nesses locais é de oito meses. Os abrigados têm direito de ir e vir, não são obrigados a permanecer no local. Muitos acabam fugindo e retornando depois.
Numa dessas instituições, os adolescentes são educados para ter uma vida independente. São jovens que não podem voltar ao ambiente familiar e que também não serão adotados. Hoje, uma das casas-abrigo mantém cinco jovens nessas condições, entre meninos e meninas, na faixa dos 14 aos 16 anos. Jovens com histórias de abusos, maus tratos, drogas. Pessoas sozinhas no mundo que tentam se recuperar, apesar de tudo.
Psicólogos, educadores e as chamadas mães sociais se desdobram para dar aos assistidos uma casa com características de família. ''Eles precisam conviver num ambiente parecido com o de uma família normal'', afirma o psicólogo Ronaldo Tófolli, responsável pela assistência em uma das casas-abrigo. ''Desta forma, os maiores cuidam dos menores. A convivência é mais humana e eles se tratam como irmãos.''
Novas medidas sócio-educativas foram implantadas no ano retrasado, com melhores resultados. O primeiro projeto de casa-abrigo, criado pela prefeitura em 1988, indica que o índice de recuperação dos adolescentes junto às famílias de origem era de 10%. No ano passado, o índice de retorno foi de 52%.
O acompanhamento psicológico é feito em 65% dos abrigados. Muitos são tratados à base de medicamentos, porque chegam drogados e desestruturados. Depois de reduzir a agressividade, é feito o trabalho psicoterápico.
A família também recebe atenção. Uma vez por mês são feitas reuniões para orientar os pais com tarefas básicas nos cuidados com os filhos. ''A maior parte da população assistida é pobre, são meninos de rua, usuários de droga e com atos infracionais, que vêm de famílias que nem sabem cuidar dos filhos'', explica Tófolli, que faz um trabalho conjunto com a psicóloga Danielli Palazzi.





