Os parâmetros para construção de casas-abrigo para mulheres em situação de risco no Brasil vão ser discutidos a partir de amanhã por uma comissão do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. A reunião vai ser em Brasília e terá a participação da vereadora Elza Correia, presidente da comissão que conta com outras três integrantes.
A expectativa de Elza Correia é que a implantação de uma casa-abrigo em Londrina aconteça ainda esse ano, já que a liberação de verbas federais destinadas para as casas-abrigo em todo o País depende apenas da regulamentação do projeto.
Elza defende que a casa-abrigo é um complemento indispensável ao trabalho de promoção da cidadania da mulher desenvolvido pelas prefeituras. Os atendimentos prestados por divisões administrativas municipais especializadas, segundo ela, não garantem a vida da mulher em risco. O atendimento é de assistência jurídica e psicossocial. A dificuldade, segundo Elza, que foi chefe da Coordenadoria da Mulher na administração passada, quando o órgão começou a funcionar, é depois do atendimento às mulheres vítimas de agressão. Sem ter para onde ir, elas voltam a viver com seus agressores.
‘‘Se tivéssemos uma casa-abrigo aqui teríamos salvo a vida de seis mulheres mortas pelos companheiros desde que o trabalho da Coordenadoria foi iniciado em Londrina (abril de 1995)’, diz.
O projeto a ser discutido em Brasília estipula a permanência da mulher e seus filhos menores na casa por 90 dias. Nesse período, a mulher vai precisar de atendimento psicossocial, à saúde e tem que ter garantia de trabalho ao sair da casa-abrigo.
O processo de implantação da casa-abrigo em Londrina está na fase de equipar o imóvel com geladeira, fogão, móveis, roupas de cama, mesa e banho. O imóvel da Prefeitura foi reformado pelo Estado que também deve equipá-lo. A coordenadora da mulher, Cleide Camargo, afirma que o pedido dos equipamentos foi feito à Secretaria de Estado da Criança e Assuntos de Família, mas informações do escritório regional da secretaria revelam que no momento não existem verbas disponíveis. A coordenadora também está tentando conseguir eletrodomésticos provenientes de apreensões feitas pela Receita Federal. Cleide espera que a ida da vereadora Elza à Brasília viabilize a obtenção dos equipamentos.

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