Casamento também é cidadania
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Depois de 21 anos juntos, Silmara da Silva e Laelson Camargo finalmente irão se casar. Sem dinheiro para pagar a cerimônia no civil, eles participarão, em outubro, de um casamento coletivo promovido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc), em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Silmara conta que ela e o marido sempre quiseram se casar, ''mas nunca deu para pagar''.
O casal mora com os três filhos, Robson, 21 anos, Wellinton, 19, e Fabíola, 11, numa casa construída no quintal da mãe de Laelson, no Conjunto Semíramis Braga I, na Zona Norte de Londrina. ''Nós namorávamos e aí eu engravidei. Fomos morar juntos quando meu primeiro filho fez oito dias de vida'', recorda a dona-de-casa.
Para ela, assinar um documento não deverá mudar em nada o dia-a-dia da família, ''mas espero que fique melhor'', brinca. Segundo Silmara, os filhos acharam ''uma boa'' a idéia dos pais finalmente se casarem no civil. ''Mas por enquanto não pensamos em fazer uma cerimônia religiosa.''
Como Silmara e Laelson, outros 132 casais irão participar do casamento coletivo que acontecerá no dia 27 de outubro, no ginásio de esportes da UEL. Conforme a coordenadora do projeto Sesc Cidadão/Justiça no Bairro, Cristiane Assis Furtado, das 9 às 17 horas funcionários do Sesc irão promover ações de saúde e emissão de documentos, além da cerimônia de casamento, que será às 11 horas.
O casório será gratuito - os noivos economizarão cerca de R$ 170 com a documentação - e realizado por dois cartórios voluntários. ''Muitos casais até vão vestidos como noivos'', completa a coordenadora do Sesc, explicando que o casamento coletivo promove a cidadania. ''Eles se sentem incluídos na sociedade.''
Para participar, o casal precisa morar em Londrina e comprovar uma renda de até dois salários mínimos. ''O perfil é bem misto, tem casais que já convivem há muito tempo e outros que acabaram de se tornar pais e querem legalizar a situação'', cita a assistente social Ana Renata Scucuglia, responsável pela triagem dos casais.
Segundo ela, a maioria dos trabalhadores é autônomo e as famílias vivem de aluguel ou nos fundos da casa dos pais. A noiva mais nova tem 16 anos e acabou de ganhar nenê. O pai tem 18 anos. ''Nesse caso os pais dos noivos precisam ira ao cartório autorizar a cerimônia.''
Este será o segundo casamento promovido pelo Sesc em Londrina. Conforme Cristiane Furtado, a primeira cerimônia reuniu 141 casais em agosto deste ano, na Universidade Filadélfia (Unifil). ''O projeto já aconteceu em Paranaguá, Ponta Grossa e Região Metropolitana de Curitiba e o casamento coletivo é facilitado pela juíza Joeci Camargo Machado, da Vara de Família de Curitiba'', assinala a coordenadora.
Conforme ela, a própria juíza irá conduzir a cerimônia, junto ao juiz de Família de Londrina. ''Representantes do Sesc e da UEL serão os padrinhos dos casais, que também receberão uma benção ecumênica.''


