Curitiba

Kraw PenasRomanceMarli e Sidnei saindo do local do casamento: cerimônia gratuita anima casais de todas as idadesUm casamento civil que reuniu 407 casais ontem pela manhã, em Curitiba, deverá entrar pela segunda vez para o Livro dos Recordes. Desde as dez horas até o início da tarde, todos os casais que receberam senhas distribuídas pelo Cartório do Uberaba puderam fazer sua união civil gratuitamente. O número de inscritos superou a marca anterior registrada no cartório, que em dezembro de 1995 realizou a união de 355 casais.
Os casamentos gratuitos são realizados pelo cartório há dez anos e costumam mobilizar o bairro do Uberaba, obrigando a Polícia Militar a fechar um trecho da Avenida Salgado Filho para evitar acidentes. O número recorde de inscritos obrigou os organizadores da cerimônia a alugar às pressas a garagem de uma casa para realizar os casamentos. Em frente à garagem, os 407 casais, alguns poucos parentes e padrinhos se aglomeravam esperando ser chamados. Cada cerimônia durava menos de cinco minutos e era realizada por um juiz de paz e por um escriturário. No final, o registro oficial era feito pelo fotógrafo do cartório.
A possibilidade de casar gratuitamente atrai todos os anos pessoas de várias partes da cidade e de todas as idades. Na maioria das vezes, o noivo e a noiva já vivem juntos há algum tempo, possuem filhos e netos, mas não perdem a oportunidade de oficializar o matrimônio. Cada união civil, fora da época de ‘‘promoções’’, custa entre R$ 85 e R$ 250.
Mesmo sem poder andar, o agricultor Querubino José de Oliveira, de 87 anos, casou finalmente ontem com Eucalina de Souza, de 62 anos - com quem vive há mais de 40 anos. Por ser paraplégico, a cerimônia do casamento de Querubino e Eucalina foi realizada dentro do carro da família, um monza vermelho. Depois das palavras do juiz declarando-os, enfim,‘‘marido e mulher’’, o casal fez pose para as fotos trocando um aguardado beijo. ‘‘Querem que eu continue beijando? Se precisar, é só falar’’, perguntava para os fotógrafos um dos noivos mais animados da festa.
A oportunidade de economizar no preço da cerimônia permitiu que o casal Marli Pereira de Souza e Sidnei Afonso investisse nos trajes. A noiva, uma das poucas vestidas a caráter, disse que escolheu o vestido pensando no ‘‘momento único’’ representado pelo casamento. O casal, que já vive junto há 7 anos, não dispensou nem mesmo o casal de pajem e dama de honra. O pajem de Marli e Sidnei era o menino Rodrigo, de 4 anos, filho do casal. ‘‘Estávamos só esperando uma oportunidade para oficilizar nossa união’’, dizia Sidnei.
O casal Paulina Castro, de 60 anos, e Júlio Lavoratti, de 62 anos, também aproveitou a oferta feita pelo cartório para mudar de estado civil. Ambos viúvos, eles eram namorados há quase dois anos quando decidiram, enfim, se casar.

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