''Casar ou não casar, eis a questão!'' A liberdade poética utilizada serve para exemplificar o quanto os casais de hoje têm dificuldades em tomar essa decisão. Não estamos falando dos custos que envolvem toda a cerimônia, mas das implicações resultantes em assumir este compromisso. Será que diante dos altos números de divórcios registrados essa instituição, tão almejada e ao mesmo tempo repelida, pode ser considerada falida?
Não para a psicóloga Verônica Bender Haydu, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Certamente o casamento ainda é uma instituição e tem condições de sobreviver. Ele pode ter perdido um pouco a força enquanto instituição legal, mas como uma instituição social, vai sobreviver, pois depende apenas do acordo feito entre os pares'', argumenta a professora, mestre e doutora em Psicologia Experimental.
Verônica acrescenta que o casamento é uma tendência que persiste. ''Mesmo havendo mais facilidades para o divórcio, e também os casais que apenas vivem temporariamente juntos e depois se separam, ainda assim há um movimento para a união estável, mesmo que seja menos duradoura.''
E foi com a evolução da sociedade que o casamento ganhou um novo formato, impulsionado, entre outros motivos, pela própria independência da mulher nas últimas décadas. ''Antigamente, a mulher pensava em escolher um homem provedor, que iria cuidar dela e de seus filhos. A mulher de hoje busca, acima de tudo, o amor; não alguém somente generoso, mas que a ame''.
E para os que se perguntam como manter a união, a psicóloga lembra que é preciso ter disposição para isso. ''Um relacionamento harmonioso deve buscar a intimidade, a paixão, o comprometimento e o equilíbrio dos interesses e do nível cultural.''
Verônica lembra de uma frase que diz que ''o sucesso do casamento é mais que encontrar uma pessoa certa, é questão de ser a pessoa certa''. ''As pessoas estão sempre procurando a pessoa certa, e, na verdade, elas é que não estão sendo as pessoas certas. No dia em que você se dispor a ser esta pessoa, com certeza vai acreditar numa relação duradoura''.
A psicóloga explica que no início dos relacionamentos a paixão é mais intensa. ''A paixão é, basicamente, uma alteração neuroquímica, que tem uma duração; não persiste por muito tempo. Dizem os pesquisadores da área que, de dois a três anos, o organismo consegue viver aquele clima de paixão, devido às descargas neuroquímicas. Depois isso diminui, mas não significa que desapareça. E nem deve.''
Para exemplificar, ela faz uma analogia: ''No começo da relação, quando se está apaixonado, é como se fosse uma fogueira. Com o tempo, vai se tornando um braseiro e de vez em quando você tem que dar um assopradinha. Isto significa cuidar e fazer-se cuidar. Quando há essa troca, a paixão continua, num nível mais baixo, mas não acaba'', declara.

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