A comerciante Roseli Ramos dos Santos, 30 anos, e o operador de máquinas Odair José Fernandes, 29, há 15 anos juntos, sempre tiveram vontade de oficializar a união. Porém, as contas do dia-a-dia, como o pagamento do aluguel, os impedia de realizar este desejo. Ontem pela manhã o sonho se concretizou para este e outros 113 casais que participaram da cerimônia civil de casamento coletivo no salão nobre do Harmonia Tênis Clube, em Cambé (13km a oeste de Londrina). ''Sempre sonhei em me casar vestida de noiva'', revelou Roseli, às lágrimas.
O evento integrou as atividades da 37 edição do Paraná em Ação, programa do governo do Estado cujo objetivo é oferecer serviços gratuitos que promovam a cidadania e a inclusão social da população. O casamento comunitário foi realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Ação Social de Cambé. Segundo o diretor de Projetos e Programas da secretaria, Joaquim Pacheco de Lima, é a segunda vez que a cidade sedia um casamento coletivo. ''São casais de baixa renda, a maioria beneficiada pelo Bolsa Família, que coabitam há 10, 15 anos e gostariam de regularizar a situação'', informou.
Os casais entraram no salão ao som da marcha nupcial executada pela Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Vestida de noiva, a dona de casa Nilcélia Fernandes da Silva, 38 anos, sentou-se com o taxista Ademar de Jesus, 66 anos, logo nas primeiras fileiras para oficializar uma relação de 12 anos. ''Este momento é muito bacana. Não há palavras que consigam expressar o que estou sentindo'', emocionou-se o taxista. O casal, que se conheceu em um ponto de ônibus e tem uma filha de 11 anos, afirmou que o casamento no civil fortalece ainda mais a relação. ''São 12 anos de amor, felicidade e respeito'', comemorou Nilcélia.
O comerciante Edvandro Araújo dos Santos, 31 anos, e a dona de casa Jaqueline de Carvalho, 28, confessaram que viveram 14 anos juntos sem regularizar a união por comodidade. Pais de dois filhos, consideram importante ter o matrimônio legalizado. ''Vários parentes estão aqui aproveitando a oportunidade'', revelaram.
Há 11 anos a auxiliar de produção Tânia Maria Rossi, 42 anos, e o porteiro Djair Maestro, 56, deram mais uma chance ao amor. Este é o terceiro casamento de Maestro e o segundo de Tânia. ''O Djair criou praticamente sozinho os cinco filhos, já tem dois netos. Eu tenho dois filhos. O documento consolida a nossa relação e impõe respeito. É importante para os nossos filhos regularizar a união'', argumentou Tânia.
Ao final da cerimônia, os noivos festejaram o casamento com lanche, bolo e foram presenteados com uma fotografia deste momento especial.

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