Um casal identificado apenas como José Carlos e Jane teria tentado raptar a filha de 11 meses de um policial militar morador da Zona Sul de Londrina na última sexta-feira. A mãe foi abordada em casa, disse que foi coagida pela dupla a entregar a criança mas resistiu. Com isso, o casal desistiu e foi embora. O temor das autoridades é que a ação se repita com outra família.
A mãe, que pediu para não ser identificada, contou que o casal chegou em sua casa por volta das 16h. Depois de se apresentarem como conselheiros tutelares, os dois afirmaram terem recebido uma denúncia de maus tratos contra criança e que deveriam levar a menina para um ''orfanato''. A mãe comentou que a dupla tinha informações sobre a família - nomes, profissão do marido e idade da filha - mas não apresentou qualquer documentação que respaldasse a necessidade de levar a criança. ''Eles diziam o tempo todo que precisavam entrar em casa para ver minha filha e tentavam me coagir, fazer pressão psicológica, para que eu permitisse. Eu disse que só entrariam com um mandado judicial, coisa que eles não tinham. Eles afirmaram então que iriam embora mas voltariam hoje'', comentou. Para ela, as características físicas da filha - pele clara, olhos azuis e pouca idade - devem ter chamado a atenção.
Segundo a descrição da mãe, o casal portava apenas um crachá - com um cordão vermelho com a inscrição ''Prefeitura Municipal'' e com os nomes de Jane e José Carlos, e se apresentaram como conselheiros tutelares. Jane é loira de cabelos curtos, alta e aparenta ter cerca de 35 anos. O rapaz é negro, cabelo raspado, estatura média e está um pouco acima do peso. Eles usaram um Fiat Uno branco, com placas de Curitiba. No entanto, a polícia já sabe que essa placa pertence a um outro veículo Uno, de cor cinza, de Curitiba.
O presidente do Conselho Tutelar da Zona Sul, Luiz Bárbara, alertou os pais que os dois não são conselheiros tutelares e que usaram indevidamente o nome do Conselho. '' A comunidade precisa saber que um conselheiro não age desta maneira. A retirada da criança da família e o abrigamento só acontece em último caso. Por isso, os pais jamais devem entregar um filho para um desconhecido'', orientou. Bárbara alertou que os Conselhos Tutelares da região devem ficar atentos porque o casal pode tentar agir em outra cidade.
Mesma preocupação demonstrou o Serviço de Investigação sobre Crianças Desaparecidas (Sicride) de Curitiba. A Superintendência do órgão alertou que os pais nunca devem entregar nenhuma criança para um desconhecido e também não devem permitir o acesso à residência. O ideal é anotar todos os detalhes sobre quem fez a abordagem e tentar fazer contato com o órgão ao qual a pessoa diz estar vinculada. Outro cuidado importante é comunicar o fato à polícia.

SERVIÇO - O Conselho Tutelar mantém o telefone (43) 9991-6752 (24 horas por dia) para atender urgências, emergências e para tirar dúvidas. O Sicride também recebe denúncias pelo telefone (41) 3224-6822 ou pelo e-mail [email protected].

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