Casal tenta localizar filha biológica
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quinta-feira, 14 de novembro de 2002
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Após descobrir que tinha sido vítima de uma troca de bebês num hospital de Foz do Iguaçu, um casal luta para encontrar a filha biológica e assim encerrar um histórico de discriminação. Os pais, negros, estão com uma menina de sete anos, de pele branca, cabelos loiros e olhos azuis.
A história começou em 24 de outubro de 1995. Maria Pereira da Silva, 30 anos, deu à luz no Hospital Internacional. Horas depois, a mãe recebeu em seu leito um nenê com características físicas bem diferentes das suas. Ela alertou para uma possível troca de bebês, mas a versão foi recusada pela enfermeira.
Com o tempo as diferenças entre pais e filha se acentuaram. Vizinhos e até parentes acusaram a mulher de ter traído o marido, o pedreiro José Luiz da Silva, 34 anos. A tese foi reforçada pelo fato de Douglas, 11 anos, o filho mais velho do casal, ter as características dos pais.
Apesar da polêmica, o teste de DNA demorou a ser feito ''por causa do preço'', lembra Maria. ''Quando o valor baixou, fui trabalhar e juntei o dinheiro necessário (R$ 750,00)'', relata. O resultado do exame, realizado em maio de 2001, certificou que D. não era filha do casal.
Desde então, o casal luta para conhecer a filha biológica, sem intenção de trocar as crianças. O objetivo esbarra no processo aberto na Vara da Infância e Juventude, ainda em 2001, encaminhado à Vara da Família e recentemente arquivado - o que teria levado os pais a tornar o caso público.
Diante de todo o problema, Maria começou a sofrer de depressão, provocando sua demissão do emprego. Recuperada depois de assistência psicológica, Maria ajudou José na procura das outras 12 mulheres que tiveram filhas no mesmo dia em que D. nasceu. Do total, nove foram localizadas e três ainda não.
Foram feitos contatos com seis mães em Foz, uma em Curitiba, uma em Joinville (SC) e uma Itapuã do Oeste (RO). Por enquanto, as suspeitas recaem sobre uma vendedora que tem pele, olhos e cabelos claros, parecida com D., mas que tem um filha parecida com Maria e José. A mulher, entretanto, se recusou a fazer o exame do DNA.
Ontem, o casal buscou nova ajuda do promotor da Infância e Juventude, Luiz Francisco Barleta Marchioratto, que prometeu ouvir as partes. Enquanto aguarda a investigação, Maria sintetiza o sentimento do casal. ''A gente sofreu demais com o falatório do povo, mas eu jamais deixei de amar a D.. Eu não dei a vida à ela, mas daria a minha por ela. A gente quer só verdade''.


