Casal recorre da condenação por tráfico de bebês
Luciana Pombo
De Curitiba
O clínico geral Fauzi Farah e a mulher dele, Maria Nancy Bento Farah, condenados pela Justiça de Santa Catarina por comercialização e tráfico de crianças, querem aguardar o julgamento do recurso em liberdade. O pedido de anulação do julgamento que condenou oito pessoas denunciadas pelo Ministério Público e declarou inocente outras quatro e absolvição de todos os réus por falta de provas, deverá ser relatado pelo desembargador Maurílio Moreira de Leite. O processo tem seis volumes, sendo que 91 laudas foram dedicadas exclusivamente para a sentença.
A denúncia de comercialização e tráfico de crianças foi feita em fevereiro do ano passado, no Ministério Público de Caçador (SC) e na Polícia Federal. No dia 26 de fevereiro, foram presas Neusa Fonseca Picolotto (condenada há 5 anos e quatro meses de prisão), Andréia Moreira (quatro anos e oito meses), Marilda Muller (quatro anos e quatro meses), Sirlei Aparecida Rodrigues (quatro anos e quatro meses) e Luiza Correia (quatro anos e oito meses). Elas eram acusadas de angariar as gestantes em prostíbulos e postos de saúde, oferecendo dinheiro (entre R$ 200,00 e R$ 600,00) e cuidados médicos em troca do bebê. A Polícia Federal declarava, na época, que o valor da venda da criança para os pais adotivos era de R$ 20 mil.
O casal foi condenado a cumprir quatro anos e seis meses de prisão em regime semi-aberto, negado o direito de recorrer em liberdade. No entanto, eles ficaram foragidos até que conseguissem um habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ), de Brasília. Os demais denunciados no processo, os cabeleireiros João Carlos Furtado e Ivonete Ribeiro da Silva Furtado, Sérgio Telles de Carvalho e a dona de um prostíbulo de Videira (SC), Idete Rodrigues dos Santos foram abolvidos por falta de provas.
A expectativa é de que o recurso interposto tenha o mérito apreciado nos próximos dias. A reportagem da Folha tentou entrar em contato com o médico Farah e a mulher, mas não conseguiu encontrá-los. O advogado do casal, Nilton Bussi, também foi procurado, mas não retornou aos telefonemas.





