Casal recorre à Justiça contra erro médico
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terça-feira, 25 de março de 2003
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Depois de quase um ano, um casal de Londrina tornou público a denúncia de um provável erro médico que teria custado a vida de um de seus filhos gêmeos e causado sequelas no que sobreviveu. Em outubro de 2002, o casal entrou na Justiça com uma ação de indenização por danos morais contra a médica que fez o parto das crianças, o hospital onde ocorreu a cirurgia e o plano de saúde que não cobre os tratamentos que a criança necessita. ''É uma questão de cidadania, não queremos que outros pais passem por isso'', afirmou o músico Elimar Plínio Machado.
A acusação é de que a médica teria negligenciado o atendimento à gestante quando, no oitavo mês de gravidez, em abril de 2002, a bolsa se rompeu e ela entrou em trabalho de parto. ''A médica foi dar uma palestra e nos deixou à deriva no hospital'', afirmou a mãe, Selma de Santana Diamante. ''Quando ela deu a notícia da morte de um dos bebês, disse que 'não tinha entendido o que tinha acontecido'. Um médico não tem o direito de falar isso, ela não tem competência para avaliar?'', questionou o pai.
Machado afirma que a médica foi avisada do rompimento da bolsa às 5 horas e orientou que Selma, na época com 41 anos, se dirigisse até o hospital. ''Somente às 11 horas a médica apareceu no quarto e, com a alegação de que não havia sala disponível no centro cirúrgico, a espera se prolongou ainda mais'', relatou.
Durante o período de espera, segundo o casal, foram realizados exames de cardiotocografia. ''Em um dos exames, houve queda dos batimentos cardíacos de um deles, indicando a necessidade de uma atitude mais urgente, mas o hospital em nenhum momento acionou um médico de plantão'', afirmou o pai.
O parto aconteceu por volta das 13 horas e Hector, que hoje tem 11 meses, sofreu anóxia (falta de oxigênio no cérebro), o que resultou em graves lesões neurológicas. O outro bebê nasceu morto. Há cerca de um mês, o casal conseguiu uma liminar que determina a cobertura de procedimentos médicos, como fisioterapia, pelo plano de saúde.
Através da sua assessoria de imprensa, o hospital informou que os exames realizados com a gestante não apontaram sofrimento fetal e que por isso não era um caso de emergência. O hospital informou ainda que foi feito tudo que era possível.
Segundo a empresa responsável pelo plano de saúde, a ação se voltou contra a empresa porque a médica é uma das cooperadas. ''A liminar, embora discutível, foi acatada'', disse o assessor jurídico Armando Garcia, ressaltando que a legislação permite uma adaptação do contrato de planos de saúde, mas que o custo não é o mesmo. A médica foi procurada, mas sua secretária afirmou que ela não trabalhou ontem e não soube dizer onde poderia ser localizada.


