Casal que teve filho morto prega a paz
Érika Pelegrino
De Londrina
O casal Iolanda Keiko Ota e Masataka Ota, de São Paulo, teve o filho Ives, de sete anos, sequestrado e morto em 1997. Os primeiros sentimentos de revolta e desejo de vingança, logo foram substituídos pela necessidade de perdoar e de levar para as pessoas mensagens de paz. Criaram a Fundação Ives Ota com o objetivo de contribuir com menos favorecidos materialmente e dar apoio espiritual às famílias vítimas da violência.
Eles passaram a viajar o Brasil todo fazendo palestras sobre a valorização da vida através do amor, justiça e paz. O casal veio a Londrina a convite da empresária Celina Akiyoshi, e fica até amanhã quando faz palestra para um grupo de sanseis.
O grande trabalho do casal está em, através de seu testemunho, mostrar para pais e filhos a importância do amor familiar. A violência começa em casa com pais distantes e filhos que não conseguem amá-los, afirma Masataka Ota. Em São Paulo, diariamente o casal ministra palestras em escolas particulares e públicas para jovens.
As pessoas ficam chocadas porque se perguntam: Se eles conseguiram perdoar aqueles que mataram o filho deles, como eu não consigo perdoar meus pais que me deram a vida, conta Keiko Ota. O casal ainda fez uma campanha na qual foram recolhidas dois milhões e meio de assinaturas em 10 estados brasileiros pedindo a prisão perpétua para casos de crimes hediondos sequestro seguido de morte, assalto seguido de morte, estupro e outros.
O abaixo-assinado foi entregue em maio deste ano na Câmara dos Deputados junto com uma proposta de que o criminoso fique preso mas trabalhando no presídio e que o dinheiro obtido com a produção seja revertido 30% para a família da vítima, 30% para a família do criminoso, 30% para a manutenção do presídio e 10% para o preso.
Keiko e Masataka Ota também criaram a Fundação Ives Ota que conta com cinco professores fixos e onde são realizados cursos e palestras sobre temas como aborto, família, drogas, entre outros. Segundo Keiko Ota, mais de 300 pessoas participam dos cursos, inclusive 80 crianças. Um dos cursos foi feito especificamente para mulheres sem teto de São Paulo.
Vimos a transformação delas no transcorrer do curso. Melhoraram como seres humanos, conta Keiko Ota. Para o próximo ano já estão inscritas 40 mulheres sem-teto. A Fundação Ives Ota é filantrópica e tem o objetivo de contribuir com os menos favorecidos materialmente e dar apoio espiritual às famílias vítimas da violência.
O casal Ota afirma que conseguiu perdoar os assassinos de seu filho e que só assim conquistou a paz interior e descobriu que tinha a missão de ajudar o ser humano a melhorar. Eu agradeço a Deus pelo o que aconteceu com meu filho Ives, porque só através do nosso testemunho conseguimos ajudar as pessoas. Senão ninguém acreditaria em nós, afirma Keiko Ota. O casal participa de todo tipo de evento no Brasil, sempre que é convidado.Pais do menino Ives, de sete anos, que foi sequestrado e assassinado em 97, percorrem cidades para divulgar mensagens de amor
Arquivo FolhaPEREGRINAÇÃOMasataka Ota com a foto do filho e o abaixo-assinado: pedido de prisão perpétua para crimes hediondos





