Alguns casos atendidos pela equipe de Ricardo Barini na Unicamp são dramáticos. Rafael e Deliziani Carvalho, de Brasília, já estavam abandonado a idéia de ter filhos. Aos 35 anos de idade, depois de dez anos de casamento, Deliziane já sofrera seis abortos espontâneos e se submetera a pelos menos cinco tipos de tratamentos diferentes. ‘‘Acho que todos os ginecologistas de Brasília e metade das clínicas especializadas de São Paulo nos conheciam’’, brinca o analista de sistemas Rafael. Ninguém conseguia explicar as razões dos abortos. Em 95, graças a uma reportagem na televisão, eles souberam das pesquisas da Unicamp. ‘‘Foi até engraçado. No dia seguinte, meia dúzia de amigos e parentes mandaram fitas de vídeo gravadas com a reportagem para a gente assistir. A torcida para que eu engravidasse já tinha tomado conta da família inteira’’, lembra Deliziane.
Em 96, Deliziane iniciou os tratamentos. ‘‘O doutor Barini disse que eu já havia feito 98% dos exames necessários. Concluí aqueles 2% que faltavam e dois meses depois comecei a tomar as vacinas’’, conta. Mas o processo foi lento. Deliziane ficou um ano tomando tomando a vacina todos os meses, até conseguir engravidar. Hoje sua filha tem dois anos.
Andrea Meireles, 29 anos, de Varginha (MG), foi a segunda mulher a engravidar com as vacinas anti-aborto desenvolvidas na Unicamp. Antes, ela havia sofrido três abortos espontâneos e se submetera a diversos tipos de tratamentos hormonais para engravidar. ‘‘Conheci Barini assim que ele começou a desenvolver a vacina anti-aborto no Brasil, há seis anos’’, conta. Hoje, sua primeira filha tem 5 anos. No ano passado, Andrea iniciou novamente os tratamentos. ‘‘Desta vez não precisei tomar vacinas antes de engravidar, só nos dois primeiros meses de gestação.’’ (P.S.M.)

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