Curitiba - Um casal que se diz vítima de estelionato organizou uma manifestação ontem, em frente ao Palácio Iguaçu, contra a conduta do Ministério Público (MP) estadual no processo que apura o golpe. Durante quase todo o dia, manifestantes permaneceram no local com várias placas onde estava escrito: ''Socorro Requião. No governo Lerner, promotor protegia ladrão. No seu governo não pode. Ou pode?''.
O processo que apura a responsabilidade do golpe tramita na 11 Vara Criminal de Curitiba. Em 2000, Ayrton Précoma e Tatiana Fonseca dizem ter pago R$ 350 mil para um escritório de engenharia construir um salão de festas. Mas a obra não saiu do papel e o dinheiro não foi devolvido, segundo eles. De acordo com Précoma, o engenheiro responsável pela empresa, repassou os R$ 350 mil para parentes. Ele e outros dois funcionários são réus na ação. ''O MP pegou uns laranjinhas em vez de denunciar quem ficou com o dinheiro'', acusou.
De acordo com Précoma, a promotora de Justiça da 11 Vara Criminal, Elisabete Klosovski, não está cumprindo com sua função. ''Ela não está representando a sociedade no caso, mas sim o dos acusados, dos responsáveis'', declarou. Segundo ele, foram apresentados 15 pedidos para incluir na denúncia a ex-mulher do engenheiro e os pais dela. ''Eles estão andando de carro de luxo com o nosso dinheiro. Os recibos de compra estão no processo'', explicou. Précoma e Tatiana também colocaram placas de protesto em frente à chácara do Canguiri, na Região Metropolitana de Curitiba, uma das residências do governador Roberto Requião (PMDB).
O MP informou, através da assessoria de imprensa, que tomou conhecimento das manifestações ontem mas que vai buscar mais informações sobre o caso antes de tomar um posicionamento. A reportagem não conseguiu falar com Elisabete, que ficou em reunião durante quase toda a tarde de ontem. Também não foi possível contato com o engenheiro citado no processo, que está com o cadastro desatualizado no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-Pr).

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