Londrina - Criado em abril deste ano, o Cadastro Nacional de Adoção começou a dar seus primeiros frutos no Paraná. Um recém-nascido e quatro irmãos foram adotados em Cascavel (Oeste) por casais inscritos na lista. Conforme o juiz da Vara da Infância e Juventude de Cascavel, Sérgio Luiz Kreuz, "como não havia pretendentes à adoção na comarca, as crianças foram inscritas no cadastro do Conselho Nacional de Justiça e logo surgiram possíveis pais".
Em agosto, um casal do interior de São Paulo adotou um menino portador do vírus HIV, que morava num abrigo em Cascavel desde o nascimento, em julho deste ano. Segundo Kreuz, a mãe biológica, também portadora do vírus, manifestou o desejo de desistir do filho desde a gravidez.
"Os escolhidos, um casal de comerciantes, tiveram conhecimento da criança pelo Cadastro Nacional de Adoção. Eles já estavam habilitados na comarca de São Paulo e por isso não foi necessário repetir o processo de habilitação", disse o juiz, ressaltando que como se tratava de um recém-nascido, a adoção foi concluída em apenas nove dias. O caso foi divulgado na semana passada.
Kreuz citou também o caso de outro casal do interior paulista que iniciou, este mês, o processo de adoção de quatro irmãos que viviam num abrigo em Cascavel. Os três meninos, dois deles gêmeos, e uma menina de dois anos, com graves problemas cardíacos, foram abrigados, por ordem judicial, em outubro de 2006, depois de terem sido encontrados em situação de completo abandono material, psicológico e afetivo.
"As crianças foram preparadas pela equipe técnica da Vara da Infância e Juventude e passaram o final de semana se adaptando à nova família. No dia 10 de novembro, depois de avaliados novamente pela equipe técnica, passaram por audiência judicial, em que foi deferida a guarda provisória e iniciado o processo de adoção. As crianças já seguiram para a nova casa com os novos pais", contou o juiz.
Adaptação

Segundo ele, a família passará por um estágio de convivência de pelo menos 30 dias e, se confirmada a adaptação e a constituição de vínculo, a adoção deve ser concluída em 40 dias. "As crianças, depois de um final de semana com os novos pais, se apresentaram eufóricas e estavam felizes com adoção e já chamavam os adotantes de pai e mãe", comentou Kreuz.
Casos como os citados pelo juiz -adoção de grupos de irmãos e crianças doentes ou até crianças com mais de sete anos de idade-, eram incomuns antes da criação do Cadastro Nacional de Adoção. "Normalmente estas crianças seriam encaminhadas para famílias estrangeiras", destacou.

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