Marcos BorgesNova opçãoClaudemir e Rita: depois de cobrir folgas dos laristas, a sensação de que podiam fazer algo maisHá cerca de dois meses, o casal Claudemir e Rita de Oliveira, ele com 29 anos e ela com 26 anos, assumiu uma das casas-lar do Núcleo Social Evangélico de Londrina (Nuselon). Com três filhos pequenos, eles tinham a vida estruturada, possuíam residência própria e um trabalho fixo. Mas abandonaram tudo para se dedicar às crianças. ‘‘No começo ficamos assustados, com medo de não saber cuidar de forma correta destas crianças. Deus, no entanto, tem nos orientado’’, afirma o ex-corretor de imóveis, Claudemir de Oliveira.
O casal está cuidando de 11 crianças, entre elas três portadoras de deficiência mental. Evangélicos, eles afirmam que há algum tempo haviam percebido sua vocação, mas só definiram o caminho com a saída do casal que cuidava da casa-lar. O casal anterior teve problemas familiares para resolver e não pôde dar sequência ao trabalho. Os filhos do casal Oliveira - com dois, sete e oito anos - ainda não se acostumaram à nova vida. ‘‘O mais velho está tendo dificuldades por ter aberto mão da sua vidinha em uma casa só nossa. Mas não reclama e entende a opção que fizemos’’, acredita Rita.
Antes de assumirem o trabalho na casa-lar, Claudemir e Rita já participavam do trabalho de assistência às crianças, como voluntários. Cobriam folgas dos laristas, permitindo assim que eles descansassem. ‘‘Mesmo assim a gente tinha a impressão de que precisava fazer mais, mas não sabíamos exatamente o que fazer’’, conta Rita, enquanto preparava o almoço das crianças. Metade delas estuda de manhã e outra na parte da tarde; assim Rita serve o almoço em duas etapas. A cada um que chega ela interrompe a entrevista para perguntar como foram as aulas e dar uma fiscalizada no seu estado geral.
Enquanto Rita cuida das crianças, Claudemir mexe nas panelas para ver se o feijão já está quente. ‘‘Diz na bíblia que se orientarmos os pequenos no caminho certo eles não se desviarão dele, mesmo quando velhos. É o que queremos para nossos filhos. Que eles sejam pessoas de bem e felizes’’, comenta. ‘‘Estas crianças são, de uma certa forma, outros oito filhos que Deus nos entregou para que a gente conduza pelo caminho do bem’’.

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