Curitiba
Os trabalhadores sem-terra acampados na Fazenda Sozierzoski, em Inácio Martins, na região Centro-Sul do Estado, libertaram ontem à tarde um casal que estava sendo mantido como refém desde sábado. Eduardo Sozierzoski, 26 anos (filho do dono da fazenda), e a namorada, Xênia Torres Polidoro, 18 anos, foram abordados pelos sem-terra quando chegaram para fazer o pagamento dos funcionários, na tarde de sábado.
A fazenda, de 496 alqueires, foi invadida na madrugada de sábado por cerca de 40 famílias sem-terra. Ontem, a coordenação do Movimento dos Sem-Terra (MST) em Curitiba informou que já havia 160 famílias na área. Segundo um dos coordenadores, Nildemar da Silva, Eduardo e Xênia não foram retidos pelos sem-terra, mas apenas ‘‘convencidos’’ a ficar na propriedade, sob vigilância dos acampados, como forma de agilizar as negociações sobre a reforma agrária. Eduardo disse à Folha, por telefone, que os sem-terra exigiam a presença de um representante do Incra no local.
Silva afirmou que o MST não aprova qualquer ação de privação de liberdade e determinou aos líderes da invasão em Inácio Martins que libertassem o casal. A Polícia Militar informou que a libertação precisou ser negociada pelo grupo de operações especiais do 16º Batalhão, com sede em Guarapuava. A fazenda continua ocupada.
Após serem libertados pelos sem-terra, sem a presença de representantes do Incra como queriam os invasores, Eduardo e Xênia foram levados para o quartel do 16ºBPM onde atenderam a imprensa.
A coordenação estadual do MST enviou ontem um ofício ao presidente Fernando Henrique Cardoso, denunciando a situação de tensão no campo e pedindo ‘‘soluções definitivas e emergenciais’’ para áreas invadidas no Paraná.

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