Casal ganhou dinheiro
e vai embarcar de novo
Osmani Costa

Josoé de Carvalho
ExceçãoNoboru e Irene: emprego garantido e nova viagem para o JapãoNoboru Akamine nasceu em Marília (SP) há 41 anos. É filho de japoneses. Foi para São Paulo, casou-se com Irene de Figueiredo, e trabalhou como caminhoneiro. No final da década de 80, começou a sentir as consequências da crise econômica brasileira e do desemprego. Em 1989, ele foi, sozinho, para o Japão pela primeira vez. Ficou lá durante oito meses, mas sentiu muita saudade da mulher e da filha única Gislaine, hoje com 18 anos. Voltou ao Brasil.
No início do junho, Noboru e Irene embarcarão novamente para o Japão para trabalhar em Gotemba, cidade industrial média a 250 quilômetros de Tóquio. Ele tem emprego garantido em uma metalúrgica; ela, em uma fábrica de eletroeletrônicos. Eles vieram a Londrina para assistir ao casamento da filha (que entre 92 e 95 morou com os pais no Japão). Mas na semana passada estavam em uma agência de turismo acertando detalhes finais para a viagem.
Esta será a quinta vez que Noboru Akamine irá ao Japão para trabalhar. Sua mulher estará embarcando pela segunda vez. Em época de poucas ofertas de emprego aos dekasseguis, eles constituem uma exceção em Londrina, e estão felizes por isso. ‘‘Estamos animados como antes. Pela nossa idade, seria muito difícil encontrar empregos tão bons aqui no Brasil’’, avalia Noboru.
Ele ressalta que, se o dekassegui está disposto a trabalhar duro, fazer três a quatro horas extras por dia, no final obterá a recompensa e conseguirá trazer algum dinheiro de volta. ‘‘Depende muito de cada pessoa. O custo de vida lá é alto, até porque tem tudo quanto é novidade em cada esquina. A gente não pode se deixar levar pelo consumismo, para não gastar todo o salário que recebe’’, aconselha.
Noboru Akamine tem seis irmãos, e apenas um deles nunca trabalhou no Japão. Atualmente, outro irmão mora também no país. ‘‘A família inteira morava em São Paulo, cuidando de pequenos negócios. Daí, vieram os planos econômicos. O Cruzado, o Collor e outros. Fomos indo à falência aos poucos. A saída foi fechar as portas e ir trabalhar no Japão.’’
Ele diz que felizmente teve sorte nos empregos. Auxílio-transporte, moradia, intérpretes, assistência à saúde e seguro contra acidentes sempre foram oferecidos pelos patrões. ‘‘O importante é um bom desempenho no primeiro emprego. Assim, as portas estarão abertas para outros. Os japoneses dão muita importância à fidelidade, não gostam de quem muda de emprego constantemente’’, explica Noboru Akamine. ‘‘Lá encontrar emprego depende muito da indicação. E as pessoas só indicam você se confiam plenamente, por medo de se queimarem. Hoje, a concorrência é grande, a mão-de-obra disponível é farta. Só encontra emprego no Japão quem está bem preparado.’’

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