Maringá O casal José Lino Monteiro, 58 anos, e Maria Sebastiana da Fonseca Monteiro, 51 anos, de Sarandi, assinou ontem, num cartório de Maringá, um termo de compromisso de doação dos corpos para a Universidade Estadual de Maringá (UEM). A iniciativa da doação partiu de José, porteiro de um hospital de Maringá, e foi logo aceita pela mulher Maria. ''Aceitei na hora porque com qualquer coisa a gente se diverte mesmo'', disse a dona-de-casa.
Desde a primeira doação, feita em março de 2000, pelo aposentado Aparecido Rúbio de Araújo, 41 anos, o cartório já recebeu outros cinco termos de compromisso, incluindo as do casal de Sarandi. O corpo de um dos doadores, Dorival Simão da Silveira, morto no final do ano passado, já está no Departamento de Morfofisiologia da UEM.
O porteiro disse que passou a alimentar a idéia de doar o próprio corpo nos últimos anos, mas que não tinha noção de como poderia fazer isso na prática. ''Daí comecei a falar com o pessoal onde trabalho até chegar na Universidade porque depois que a gente morre o nosso corpo não serve para mais nada e assim vai ter alguma serventia'', contou José. De acordo com o porteiro, o casal se comprometeu a visitar o corpo de quem morrer primeiro. ''Com certeza, vou lá ver como está a minha mulher'', disse José. Maria e José são casados há 38 anos e tem quatro filhos. Apenas um ainda não sabe da decisão dos pais.
A iniciativa de mais duas doações animou a professora do Departamento, Tania Regina dos Santos Soares. Segundo a professora, a carência de cadáveres dificulta o aprendizado dos estudantes, principalmente do curso de medicina. Tania explicou que a UEM está na lista de espera da Comissão de Distribuição de Cadáveres, com sede em Curitiba, junto com outras 22 instituições públicas e privadas do Paraná. ''Mesmo assim temos bastante dificuldade em conseguir cadáveres'', afirmou.
O Departamento precisa de quatro cadáveres por ano, mas até agora não conseguiu completar o quadro. Os corpos são utilizados por nove cursos e o estudo inicial é feito pelos alunos de medicina. Como são 40 estudantes, os grupos se dividem em 10 para cada cadáver.
De acordo com Tania, o Ministério Público mantém um convênio com os cartórios para facilitar o trâmite e evitar custos para o doador. ''A família pode até desistir do termo, por isso, é mais adequado que todos concordem e conheçam a vontade da pessoa em vida'', disse a professora.

mockup