Casal é agredido em posto de combustível
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A escalada da criminalidade em Londrina muitas vezes acontece por motivo gratuito. O representante comercial, Juan Carlos Reyes, 56 anos, e sua esposa, Maria Regina Minto Reyes, 46, representam a face mais visível e recente deste problema. Ao passarem pelo Auto Posto Shangri-lá, na esquina das avenidas Tiradentes e Rio Branco (Zona Oeste), eles acompanhados pela filha de 16 anos e seu namorado sofreram agressões de um grupo de sete rapazes, que marcarão suas vidas por muito tempo, tanto física quanto psicologicamente.
A violência, ocorrida no dia 3 de dezembro do ano passado, foi denunciada pelo casal recentemente. De acordo com o relato de Maria Regina, a família voltava de um restaurante e parou no posto para comprar um maço de cigarros na loja de conveniência. Ela conta que permaneceu no veículo aguardando seu marido e foi agredida verbalmente pelo grupo de jovens que teriam dirigido à mãe e filha palavras de baixo calão. Ao descer do carro para tomar satisfações, Maria Regina levou garrafadas, socos, e chutes nas costelas quando já estava desmaiada no chão. O marido, ao retornar da loja, tentou impedir o espancamento e também foi alvo de garrafadas.
Ainda segundo Maria Regina, os seguranças e frentistas do posto não ofereceram qualquer auxílio para impedir a agressão. Assustada, a família deixou o local e procurou atendimento médico. ''Eu tive rompimento da face e músculos da face em diversos pontos, perdi seis dentes e parte da gengiva, além de duas costelas quebradas'', relatou, com cópia do laudo do Instituto Médico Legal nas mãos. ''Foram três minutos que acabaram com minha vida: hoje, tenho vergonha de sair, ir a restaurantes, e rogo a Deus que um dia isso passe e eu possa voltar a viver''. O marido também sofreu lesões corporais graves.
Os danos físicos, porém, não esgotam a tragédia. ''A atuação da polícia foi muito ruim. Nós fomos até a 10 Subdivisão Policial, mas não houve qualquer ação prática: o superintendente ficou de dar retorno e nunca mais fez contato. Dias depois, meu marido procurou a Delegacia da mulher e então foi aberto inquérito.''
A reportagem da Folha foi até o posto, onde é constante a aglomeração de jovens durante o período noturno. A proprietária Mônica Tsujiguti inicialmente alegou que ''ouviu falar'' da ocorrência e negou que houvesse seguranças no estabelecimento naquela noite. ''À noite só fica um frentista.''
Após Mônica fazer um contato com o escritório de advocacia que atende o posto, o estagiário Itauby Bueno Moraes compareceu ao local. Ele reconheceu a existência de três seguranças naquela noite. ''Mas não deu tempo de fazer nada, o tumulto foi muito rápido'', afirmou. Um dos seguranças já prestou depoimento à polícia e alegou que Maria Regina estaria ''conversando com os rapazes''.
Segundo o estagiário, isso levou os funcionários a acreditar que se tratava de um desentendimento ''entre amigos ou conhecidos''. ''O estabelecimento não tem responsabilidade: quando ela levou uma garrafada, já estava dentro do veículo. Quanto a ter as costelas quebradas, deve ter ocorrido depois que ela saiu daqui'', disse.
No depoimento, o segurança declarou não ter visto a briga porque ''estava olhando para o caixa'' e que deixou de prestar auxílio porque recebe orientação de permanecer em seu posto de trabalho que é a porta de entrada da loja de conveniência.
A titular da Delegacia da Mulher, Paula Francinete Rodrigues Nunes, classificou o caso como crime de lesões corporais graves e declarou que o objetivo primordial do inquérito é a identificação dos agressores. ''A fita de vídeo do sistema de segurança foi enviada para o Instituto de Criminalística e esperamos que eles possam ser encontrados a partir das imagens'', relatou.
A delegada afirmou que o delito ocorreu ''no pátio do posto'' e descartou que parte dos ferimentos tenha sido causado após a família deixar o local. Ela disse ainda que está apurando se houve omissão por parte do estabelecimento. Antes de encerrar o inquérito, ela deverá ouvir os outros dois seguranças que trabalharam naquela noite.


