Curitiba - Um casal morador de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, denunciou ontem ter sido vítima, por telefone, do golpe do falso sequestro, no início da semana. O agravante é que as ligações dos supostos sequestradores teriam partido do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). O caso provocou reação imediata por parte do comando-geral da PM que, em entrevista coletiva no início da tarde de ontem, disse que tudo não passou de um mal-entendido.
O casal, que se identificou só pelos primeiros nomes - Vera e Paulo-, também participou da coletiva e disse acreditar, em princípio, na versão apresentada pelos policiais e no compromisso da PM em investigar o caso. Vera contou que recebeu uma ligação na manhã de segunda-feira e o interlocutor se apresentou como funcionário da operadora de telefonia, dizendo que seu celular e a linha fixa de sua residência ficariam, temporariamente, desativados. Foi o primeiro passo para o golpe do falso sequestro. Na sequência, o contato dos criminosos foi para cobrar o resgate de seu cunhado, que também foi vítima da tentativa de extorsão. O valor exigido pelos falsos sequestradores foi de R$ 5 mil em créditos telefônicos.
Desconfiada de que era um golpe, Vera decidiu ligar para a polícia e registrou queixa na delegacia do Alto Maracanã de que seu celular havia sido clonado. Já seu cunhado acabou pagando R$ 300,00, acreditando que Vera estava nas mãos de criminosos.
De acordo com o comandante-geral da PM, coronel Nemésio Xavier de França Filho, os mesmos policiais militares que atenderam o caso, pela manhã, ao retornarem no turno da noite, ligaram para o celular de Vera. A primeira ligação teria caído no aparelho clonado, mas os criminosos desligaram. Na segunda tentativa, o marido de Vera atendeu. Os policiais acharam que estavam falando com o falso sequestrador e passaram a intimidá-lo. Paulo retrucou as ofensas e desligou. Ao averiguar o número registrado no celular, o casal percebeu que as ligações tinham partido do Copom e registraram nova queixa na delegacia, na manhã de terça-feira.
O comandante-geral lembrou que todas as ligações no Copom são gravadas. Segundo ele, as conversas telefônicas serão periciadas e as degravações poderão ajudar a esclarecer o caso. ''Vamos apurar com todo rigor'', afirmou. Apesar dos indícios de equívoco, os policiais foram afastados do cargo.
''Eles (os policiais) seriam muito ingênuos, sabendo de tudo isso (que os telefonemas feitos e recebidos no Copom são registrados), fazer essas ligações de dentro de um centro de operações policiais'', reforçou o chefe da Comunicação da PM, tenente-coronel Jorge Costa Filho.

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