Setenta anos de vida em comum. Histórias de luta, trabalho, dificuldades, mas de muitas alegrias vividas juntos e que são relembradas com emoção. No último final de semana, Rita Marcondes Pinto, de 86 anos e Antônio Batista Pinto, que no dia 10 de março completa 92 anos, comemoraram com a família as Bodas de Platina, com fôlego suficiente para já programar as Bodas de Diamante, daqui a cinco anos.
  O casal, de família tradicional em Tamarana, chegou à região em 1936, vindo de terras paulistas. Ainda jovens se conheceram numa localidade chamada Bairro dos Pintos, pertinho da cidade. Em 8 de janeiro de 1938, o casamento aconteceu em Londrina, na única igreja da época, onde hoje está a Catedral.
  O transporte foi o cavalo, que enfrentou valente a estrada de chão. ‘‘Noivo em um e noiva no outro’’, faz questão de frisar seu Antônio. Na cidade, a noiva colocou o traje tradicional antes de entrar na igreja. De volta a Tamarana, também à cavalo, o almoço aconteceu no sítio, onde mais tarde, o jovem casal começaria a formar a família.
  Em meio ao trabalho duro no campo, a família vingou. Foram nove filhos (seis deles vivos), que geraram 22 netos, 36 bisnetos e 12 tataranetos. Família que se juntou para comemorar o amor que sempre uniu o casal, durante uma grande festa, trazendo parentes da região e de cidades como Curitiba, Maringá e de Mato Grosso. A festa emocionou o casal que teve a história relembrada em vídeo.
  Lembranças do tempo em que seu Antônio lidava com a terra e prestava serviços na igreja, como diácono, levando de charrete alimentos para os pobres e cuidando dos doentes. Tarefa destinada também a dona Rita, conhecida ‘médica’ da região. ‘‘Naquele tempo não tinha doutor por perto. A gente é que tinha que socorrer’’, explica Antônio. ‘‘Não sei nem assinar o meu nome, mas cuidei de muita gente’’, afirma dona Rita, que ajudava nos partos e no atendimento de doentes com fraturas.
‘‘Todas as pessoas que ela atendeu se recuperaram e não ficaram com nenhum defeito’’, complementa orgulhosa, a filha Dedé Batista Pinto.
  Mas é dona Rita que relembra as tarefas do sítio. ‘‘Nunca fui à cidade comprar nada. Tudo o que precisava fazia ali mesmo. Farinha de mandioca, polvilho, tudo’’. Alimentos, que segundo o casal, deixaram seo Antônio mais forte. ‘‘Quando casei era magrinho, pequeno. Só ganhei corpo depois e até hoje tenho o braço forte’’, mostra,sustentando o braço no ar.
  Há sete anos, junto das filhas, dona Rita se revesa nos cuidados da casa e do marido, que sofreu um derrame, perdeu a visão e está confinado a uma cama. Apesar das dificuldades, seo Antônio continua forte, cheio de vida e com uma memória de dar inveja. Lembra das datas importantes e dos detalhes do tempo em que trabalhava duro no campo. ‘‘Deus me ajudou muito. Me deu um braço forte e o que podia fazer pelas pessoas, eu fiz. Criei meus filhos com o meu trabalho e sou até hoje, muito feliz’’.
  Há um ano, ele e dona Rita vivem nos fundos da casa de uma das filhas, numa suíte confortável, adaptada para atender as necessidades do casal. O segredo de tudo isso, segundo o casal, é o amor e o respeito que sentem um pelo outro. Os gestos de carinho são comuns. A todo momento, dona Rita busca a mão do marido, numa demonstração de que está sempre por perto.
  O exemplo serviu de base para a criação de toda a família.‘‘Nunca tiveram uma discussão. Foi uma vida pautada no respeito e no carinho entre os dois’’, garante Dedé. Que eles continuem tendo saúde e vida longa.

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