Casal de índios luta para reaver filha
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 1997
Luciane Tonon Correspondente 
Luciane TononMarginalizadaCleusa, grávida, com uma das filhas: Nem imaginava que minha filha não estava mais no larBANDEIRANTES - O casal de índios guaranis Edno Ribeiro, 24 anos e Cleusa de Jesus Oliveira, 22 anos, de Bandeirantes (34 quilômetros a leste de Cornélio Procópio) tenta há oito meses reaver a guarda da filha, D.R.S, 2 anos. A causa está em tramitação na Justiça Cível.
A menor foi afastada dos pais há um ano e cinco meses e encaminhada ao Centro de Assistência e Recuperação da Criança Desnutrida (Lar Bezerra de Menezes) por apresentar um quadro de desnutrição global de 3º grau (anemia profunda, broncopneumonia, otite e escabiose). Sabíamos que ela estava doente, mas nunca deixamos passar fome e sempre tratamos com muito amor, defende-se Cleusa.
Mãe de quatro filhos e grávida de mais um, ela conta que o marido trabalha como bóia-fria e que sos dois sempre receberam assistência de entidades para que não faltasse comida dentro de casa. Fomos orientados para deixar nossa filha no lar e que quando ela tivesse alta, seríamos avisados, acrescentou.
Quando completou um ano e três meses (março de 96), a menina recebeu alta, mas não voltou para casa. Ficou sob a guarda provisória de outra família. Nem imaginava que minha filha não estava mais no lar, disse a mãe. Ela afirmou que todos os domingos ia vê-la. Só faltei dois deles para acompanhar outro filho que estava doente.
A sentença judicial determinou a destituição do pátrio poder do casal, alegando moradia indigna; desemprego do pai e abandono da família.
A coordenadora do Lar, Islair do Rocio Bail, informou que o caso de D.R.S foi um dos piores recebidos na instituição em sete anos de trabalho. O pior mesmo foi de um primo da menor. Segundo ela, a criança estava morrendo.
O Lar Bezerra de Menezes atende uma média de 53 crianças - todas são casos considerados delicados. O atendimento médico é gratuito. Não temos convênio com governo, somente doações da comunidade. Fazemos o possível para recuperar a criança e encaminhá-la do Lar para sua própria casa, afirma Bail.
Segundo ela, o caso da D.R.S era extremamente complicado e por isso o juiz liberou a guarda provisória para outra família. Antes de ir para o Lar, a menor ficou três meses internada na Santa Casa de Bandeirantes e quase morreu.
A Justiça mantém sob sigilo o nome e endereço dos pais adotivos da menina. Eles ainda não obtiveram a guarda definitiva dela. A família adotiva é de Sertaneja.
O pai dela contesta as afirmações dizendo que ele e a mulher frequentemente visitavam a garota. Muitas vezes aconteceu da gente chegar depois do horário de visita e os portões estarem fechados, contou. Ribeiro afirma que quando souberam da alta da menina, ela já tinha sido entregue a outra família.
A família recebia, mensalmente, cesta básica do programa Adote uma Família Carente. O Movimento de Cursilhos, da Igreja Católica, doou esta semana à família uma casa construída em mutirão.


