Casal de brasileiros é morto no Japão
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segunda-feira, 28 de abril de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha 
UMUARAMA - Os dekasseguis Masayo Fujiharo, 29 anos, e Carlos Alberto Oseko, 30 anos, foram mortos com várias facadas nas costas e no peito em Fukui, cidade da região central do Japão. A família de Masayo, que mora no distrito de Serra dos Dourados, em Umuarama, recebeu a notícia no último domingo. Porém, segundo a polícia japonesa, o crime teria ocorrido há pelo menos uma semana, de acordo com a constatação de peritos que examinaram os corpos. Os irmãos e amigos de Masayo e do companheiro dela no Japão não puderam reconhecer os corpos na sede da polícia.
O corpo de Oseko foi encontrado envolvido em dois ou três cobertores presos por fitas adesivas, com várias facadas nas costas e no peito, num abismo da rodovia 364, que liga as cidades de Fukui e Ishikawa. Ele vestia somente as roupas de baixo.
Uma mulher que colhia ervas teria encontrado o corpo do rapaz e comunicado a polícia. Seis horas depois, a polícia encontrou também o corpo de Masayo, companheira de Oseko, dentro de uma mala de viagem, a 350 metros do local onde estava o corpo do dekassegui.
O pai de Masayo, Noboru Fujihara, 58 anos, disse ontem que espera do governo japonês a iniciativa de enviar para o Brasil o corpo da filha e de Oseko. Nós não temos dinheiro para fazer isso, afirmou.
Masayo e Oseko estavam desaparecidos havia uma semana. Os dois descendentes de japoneses estavam juntos há um ano, mas segundo a família de Masayo, ela estava no Japão há seis anos. Antes ela ligava sempre, até três vezes por mês, mas ultimamente estava muito afastada, disse Noboru.
Ele afirmou que não sabia que a filha estava trabalhando. Ela nunca falava sobre isso. Noboru também não conhecia o companheiro de Masayo. A família dele é de Campo Grande e eles se conheceram no Japão. O casal não tinha filhos.
Outras duas filhas e um filho de Noboru estão vivendo como dekasseguis na região central do Japão. As informações que chegam à família em Serra dos Dourados são repassadas pelo filho.
Segundo Noboru, as informações são escassas porque as empresas japonesas não aceitam a saída dos funcionários do trabalho. Só me ligaram no domingo, e agora não chega mais nada, lamentou o pai. Ele não saía de perto do telefone, ontem. Noboru é conhecido no distrito pela alta produtividade que consegue em sua pequena propriedade rural.
De acordo com informações do Jornal Tudo Bem, destinado à comunidade dekassegui brasileira no Japão, até ontem a polícia japonesa não conhecia os autores do crime. Segundo um lojista brasileiro na região, Masayo e Osako diziam que estavam sendo ameaçados de morte por uma empreiteira de Aichi, cidade onde trabalharam quando chegaram ao Japão, há cinco anos. A empreiteira estaria descontente porque o casal convidava as pessoas a sair da empresa.
A polícia desconfia que o crime tenha sido praticado por mais de uma pessoa. O casal era conhecido na região, especialmente Osako, que gozava de prestígio entre os brasileiros por ajudar os colegas. Ele trabalhava durante o dia em uma fábrica e, recentemente, passou a vender pastéis em uma perua, à noite, nas cidades da região. Na terça-feira (22), o desaparecimento foi comunicado à polícia japonesa.
Cerca de 200 mil brasileiros vivem no país como dekasseguis (descendentes que retornam ao Japão para trabalhar e ganhar dinheiro). Os brasileiros geralmente trabalham até 12 horas por dia em serviços rejeitados pelos japoneses, recebendo em média US$ 3 mil.


