Casal de bóias-frias garante que filhos não deixam a escola
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Da Redação 
Mário CésarHora de estudarMarina da Silva prepara o almoço enquanto uma das filhas faz tarefa: Faço das tripas coração. Mas não tiro minhas crianças da escolaMarina e Eliseu da Silva mantêm quatro dos cinco filhos na escola, com esperança que eles tenham uma vida bem melhor que a atual. Faço das tripas coração. Mas minhas crianças eu não tiro do estudo, conta Marina, que tem 34 anos e ainda não sabe nem escrever o próprio nome. A mulher diz, com tristeza, que o pai não deixava as filhas irem para a escola porque acreditava que elas só iriam arrumar namorado. Eliseu também não estudou mas aprendeu a ler e escrever sozinho.
A família de Marina e Eliseu foi uma das beneficiadas com a cesta básica do projeto Da Rua Para a Escola, lançado em Tamarana. Os alimentos vieram em boa hora, já que o casal de bóias-frias não tem conseguido muito serviço ultimamente.
Doze itens compõem a cesta que será repassada todo o mês pelo governo: 10 quilos de arroz, 1 quilo de charque, 2 pacotes de biscoito, leite em pó, 2 litros de óleo, 1 quilo de sal, 1 quilo de farinha de trigo, 1 quilo de farinha de mandioca, 1 quilo de fubá, macarrão, 5 quilos de açúcar e 2 quilos de feijão. O valor dos alimentos é de R$ 28,00.
Ontem, o fogão a lenha da casa de Marina só cozinhava arroz, feijão e chuchu. É difícil a gente fazer uma mistura, porque tudo é muito caro, reclama, e logo depois lembra que as sete galinhas criadas no quintal ainda estão pequenas para o abate.
Quando consegue trabalho, o casal ganha em média R$ 60,00 por mês. Só o aluguel de um casebre muito velho, numa chácara perto do centro de Tamarana, sai por R$ 35. Pagando água e luz não sobra nada para comida, ressalta a bóia-fria.
De todos os filhos, apenas o mais velho, de 16 anos, trabalha na roça. Uma das meninas, de 12 anos, participa do projeto Educando, Brincando e Formando Cidadão, através do qual as crianças fazem cursos e recebem alimentação. A caçula, de cinco anos, é a única que não vai à escola.
(Adriana De Cunto)


