Casal dá volta ao mundo em veleiro
Especial para a Folha
O catarinense Omar Cardoso Candaten, 29 anos, e a mulher, Ana Rita Correa Candaten, da mesma idade, estão vivendo uma aventura que poucos teriam coragem de experimentar. Há dois meses eles saíram de Florianópolis num veleiro oceânico com a pretensão de dar a volta ao mundo. Passaram pelo litoral catarinense, mais precisamente pelas praias de Governador Celso Ramos, Porto Belo, São Francisco do Sul, e ancoraram em Antonina, no litoral paranaense. Sem um roteiro minuciosamente definido, o casal pretende conhecer todo o litoral brasileiro, navegar pelo rio Amazonas, mergulhar nas águas claras do Caribe, visitar o litoral e os grandes rios norte-americanos, e depois partir para os outros continentes.
Para embarcar nessa aventura, o casal vendeu tudo o que tinha: carro, casa própria, o emprego de técnico de manutenção na Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), ficando só com o veleiro. Não temos nada na vida além do barco, que agora também é nossa casa e nosso carro, conta Omar. A preparação para a viagem durou três anos.
DivulgaçãoAna Rita e Omar começaram há dois meses a aventura de suas vidasNo começo foi difícil. Muita gente nos taxou de malucos e toda a família foi contra. O velejador, que recebeu da Intelbrás e da Equisul o patrocínio para as despesas da viagem, não gosta de falar sobre os custos, e afirma que para um navegador o barco vale tudo o que ele tem e mais um pouco.
Prontos para o perigo - O veleiro Aurora, que vai levar o casal nessa viagem, é uma embarcação própria para navegar em águas profundas. Projetado pelo brasileiro Roberto Mesquita de Barros, o barco - um Multishine de 37 pés (11,30 metros) - foi construído em aço, pesando cerca de sete toneladas, e pode ser movido a vela ou a motor.
A bordo, não falta nada. Lá estão todos os equipamentos de segurança, comunicação, sistema de localização via satélite GPS, e ainda a estrutura e espaço de uma casa: camas de casal e solteiro, banheiros, cozinha, poltronas, e torneiras que podem fornecer água doce ou salgada, colhida do mar quando em águas profundas.
Mas os perigos do mar são imprevisíveis. E o perigo está sempre por perto quando se vive uma aventura como esta. Vamos enfrentar mares e praias desconhecidos, e os perigos são muitos: a noite, as ondas, as chuvas. Atropelar baleias e contêineres perdidos no mar também é comum.
O perigo é mais um estímulo para o casal, que aposta nas dificuldades impostas pelo mar como uma forma de crescimento pessoal. Já estamos aprendendo muito com a viagem, não só em termos de navegação, mas também precisamos ter noções de eletricidade, mecânica, informática e, principalmente, culinária, visto que preparamos tudo o que comemos.
Vida nova - Tudo nessa viagem tem um significado especial para o casal, começando pelo nome do veleiro. Omar lembra que Aurora significa o primeiro raio de luz antes do nascer do sol, e que para eles a viagem marca o começo de uma nova vida. Além da aventura e da quebra de rotina, buscamos também o crescimento espiritual, pois acreditamos que o contato direto com a natureza nos aproxima de Deus.
A viagem não tem data certa para terminar. Deve durar aproximadamente quatro anos, mas também pode durar cinco ou seis. Projetos para depois da viagem também não existem, e o único plano é escrever um livro contando os detalhes da aventura. Nossa vida mudou irremediavelmente, e a única certeza é que, de agora em diante, vamos estar sempre muito ligados ao mar. O veleiro fica ancorado no Clube Náutico de Antonina até domingo, de onde parte para explorar o litoral brasileiro.DivulgaçãoPelos sete maresSem um roteiro previamente estabelecido, o veleiro oceânico Aurora deixou Florianópolis para dar a volta ao mundo - começa pelo litoral brasileiro, Rio Amazonas, Caribe, os grandes rios norte-americanos e depois parte para os outros continentesPaulo Victor Grein





