Mais de 300 pessoas da região de Umuarama podem ter sido vítimas de um golpe milionário aplicado pelo casal Jone Rodrigues e Rosangêla Abusio Rodrigues, de Curitiba. O casal, que está desaparecido, comprou dezenas de carros com cheques pré-datados a preços mais altos que os de mercado e exigiram que os vendedores assinassem o recibo de transferência. Ontem, 10 pessoas de Altônia (88 quilômetros a sudoeste de Umuarama) ingressaram com pedidos de busca e apreensão dos veículos. Entre 30 a 40 carros comprados em Altônia estariam no estacionamento da empresa GuaíbaCar, na Rua Francisco Derosso, no bairro Xaxim, em Curitiba.
A Delegacia do Consumidor de Curitiba informou ontem que existem dois inquéritos instaurados há cerca de um mês para apurar denúncias de estelionato contra o casal na capital. Eles teriam pego carros em consignação para revender, não pagaram e não devolveram os veículos aos donos. Policiais militares intermediavam a compra e venda de carros e também teriam sido enganados.
Em Altônia, as pessoas que venderam carros para Jone e Rosangela se desesperaram semana passada, quando um dos cheques foi devolvido por falta de fundos. As vítimas também descobriram que dezenas de carros foram transferidos no Detran de Curitiba em nome de Rosangela e da GuaíbaCar. As transferências teriam sido feitas inclusive durante a noite. Na sexta-feira, pelo menos 30 pessoas foram a Curitiba tentar reaver os carros mas nada conseguiram.
Segundo advogados das vítimas, os carros em Altônia foram comprados com a participação de um policial rodoviário identificado apenas como Elieser, que mora em Altônia e trabalha em Pérola. Elieser seria primo de Jone Rodrigues e vários veículos foram pagos com cheques dele. Segundo os advogados, Elieser também se diz vítima do golpe. A Folha procurou o policial ontem, mas foi informada de que estava em Curitiba tentando resolver o problema. Nos últimos dois anos, o policial comprava um ou dois carros por mês e repassava para o primo revender em Curitiba. Sempre pagou direito.
Segundo os advogados, nos últimos dois meses, o próprio Jone e a mulher estiveram em Altônia e chegaram a comprar até 20 carros num dia, todos com cheques pré-datados. O casal oferecia até 30% a mais do valor do veículo, desde que o vendedor entregasse o recido de transferência assinado. Algumas pessoas chegaram a comprar vários carros de terceiros para revender ao casal.
Procurado ontem por telefone, o delegado Adão Edson Rolim, da Delegacia Especial do Consumidor, não deu maiores detalhes sobre os inquéritos. Até ontem, nenhuma das vítimas da região tinha procurado Polícia para registrar queixa.

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