RegistroFotos antigas relacionadas com o casal e à cidade estão expostas no saguão do Hotel Nadai O casal de pioneiros de Foz do Iguaçu, Pedro e Euzébia De Nadai, comemorou bodas de ouro resgatando a história da cidade através do livro ‘‘O Amor Celebra 50 Anos’’, que conta detalhes da vida dos dois e de famílias tradicionais, e uma exposição de fotos antigas. Em 12 abril de 1947, uma velha carroça levou o casal até a capela São José Operário para receber as bênçãos do bispo dom Manoel Konner. ‘‘Casamento com carro era coisa de gente fina’’, dizem.
O crescimento de Foz, segundo as pessoas mais tradicionais, passa pela família De Nadai. Pedro foi um desbravador. Fez pontes de madeira entre Foz e Guarapuava, abriu estradas e quase todos os antigos edifícios da cidade, entre eles o Hotel das Cataratas, Senac, o antigo Fórum e o Colégio Bartholomeu Mitre, foram feitos com tijolos da sua pequena olaria. ‘‘Me recordo que o único veículo da cidade era um Ford da família Chinque. Ainda assim, foi responsável pelo único acidente na década de 30’’, lembra dona Euzébia, uma das filhas do casal Sílvio e Catarina Dotto.
Apesar dos 69 anos, ela recorda com lucidez os tempos de criança e ainda faz exercícios em uma esteira. ‘‘Hoje, caminho menos. Tenho pequenos problemas de respiração, mas deve ser por causa dos cigarros que fumei escondido’’, revela.
Imigrantes O casal tem descendência de italianos. Pedro, quase nasceu em um navio. Ele conta que os pais vieram da Itália para São Paulo de navio, requisitados por ricos fazendeiros que ‘‘importavam’’ imigrantes para a lavoura do café. Hoje, com 75 anos, ela conta que morava em Santa Helena (110 km ao norte de Foz) até a década de 40. Por causa da II Guerra Mundial, o governo determinou a retirada de famílias da fronteira. Ele foi para Guarapuava, onde perdeu o pai, mas voltou para a fronteira com força e garra para o trabalho.
A mãe de Pedro, Tereza Marcon, se interessou por um sítio da família de Euzébia. ‘‘Na negociação, o namoro começou’’, conta Pedro. Foram dois anos e meio até o casamento. Uma velha carroça cortou sítios da região que hoje abriga as imponentes casas das vilas de Itaipu com a noiva.
Na época, receberam três presentes: meia dúzia de pratos e duas jarras de vidro. ‘‘Naquele tempo, os presentes eram porcos e galinhas com pintinhos. Era uma forcinha para quem estava começando uma vida nova’’, afirma Euzébia. Com 50 réis, compraram um pequno sítio e um velho motor a diesel para colocar em prática a fabricação de tijolos, primeiro negócio da família.
História O casal lembra quando a avenida Brasil, hoje a principal rua da cidade, era apenas um caminhozinho sem calçamento. O negócio inicial era a olaria, mas logo veio um contrato com o Batalhão da Cavalaria de Fronteira, hoje o 34º Batalhão de Inafantaria Motorizada. ‘‘Fornecíamos comida para os solados e cavalos’’, afirmam.
Um negócio com o Exército, uma troca de carnes por um touro da raça jérsei, deu início à pecuária leiteira. Mas o grande negócio do casal foi a troca de serviços, como abertura de estradas e pontes, com o governo federal por vários terrenos. De carroça, Pedro fazia viagens de Foz do Iguaçu a Guarapuava em 40 dias. ‘‘Numa ocasião, fiz o percurso, já com estradas abertas, em oito dias. Mesmo assim, tive que fazer pontes de madeira em todo o percurso. Claro que quando voltei, ganhei mais terrenos em troca desse serviço’’.
Hoje, a família De Nadai comanda um grande hotel no centro de Foz, vários imóveis alugados (entre eles um edifício de classe média-alta com 17 andares) e duas gráficas. ‘‘A nossa vida sempre foi dura. Trabalhávamos na roça, mas sabíamos que um dia teríamos uma tranquilidade financeira na velhice e uma estrutura para nossos filhos e netos’’, afirma dona Euzébia.
Para comemorar as bodas de ouro, o padre Aloízio Weber celebrou uma missa na Igreja São Paulo Apóstolo, no bairro Maracanã. O livro, contando a história da famíla, foi distribuído gratuitamente na cerimônia.

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