Casal chegou há 33 anos e construiu escola e igreja
Nas entrevistas com os pioneiros, os estudantes dizem ter encontrado muitas histórias especiais. Uma das que merecem destaque é a do casal José Tonon e Leonilda Hrescaq Tonon. Eles nasceram em Bocaina (SP), respectivamente há 70 e 66 anos. Casados e já com três filhos, eles chegaram ao Paraná em 1953.
Ele é filho de italianos, ela é neta de austríaca com espanhol. Em Londrina, chegaram em 65, e foram morar direto no Jardim Leonor, que na época contava com apenas três ruas e cerca de 100 casas de madeira. No bairro não havia água encanada, energia elétrica, esgoto, escola, asfalto e nem igreja.
O casal de paulistas teve outros dois filhos, 13 netos e três bisnetos. Pelo trabalho de pesquisa dos estudantes fica claro a grande importância que a família Tonon teve na organização e crescimento do Jardim Leonor. Foram seo José e dona Leonilda quem organizaram as rifas, quermesses e listas de doações que ajudaram a comprar o terreno e as tábuas para a construção da primeira escola do bairro, a Estadual São José, em 1967 com apenas três salas.
Foram também os zeladores da escola nos sete primeiros anos de funcionamento. Eram tempos difíceis. Para a escola ser aberta à noite, para a alfabetização de adultos, era na base do lampião com querosene que trazíamos de casa. Depois de encerrada a última aula, tínhamos que limpar as salas para o dia seguinte. E ainda levávamos para casa, com medo de roubos, as máquinas de escrever, o relógio de parede, o mimeógrafo e outros equipamentos de algum valor, conta dona Leonilda.
Os dois pioneiros ajudaram a construir, tábua por tábua, tijolo por tijolo, a igreja católica e a única creche do bairro. O nome da igreja, São José Operário, inaugurada em 1970, foi uma homenagem feita a mim pelo primeiro padre daqui, o italiano Mário Viatori, conta com orgulho o seo José Tonon. Dona Leonilda Tonon participou ativamente da diretoria da creche municipal durante dez anos.
Para nós foi uma honra, com a ajuda de toda a população daqui que é muito boa e solidária, termos ajudado na construção destas importantes obras e no desenvolvimento do bairro, afirma José Tonon. Nos consideramos honrados por ter dado a nossa contribuição. Vivemos muito bem aqui, e do Leonor só vamos sair quanto estivermos mortos. (O. C.)





