Uma criança de apenas nove meses de idade foi atingida na testa por uma pedrada durante briga dos pais. A confusão ocorreu ontem de manhã, no assentamento do João Turquino, ou Olímpico 2, na zona oeste de Londrina. O pedreiro Everaldo Felipe, 27 anos, teria atirado a pedra contra a companheira, Elizete Luiz da Silva, 33, mas não acertou. O filho do casal, Lucas Vinícios da Silva, que estava no colo do irmão de 9 anos, atrás da mãe, acabou levando a pior. O garoto foi atendido pelo Siate e encaminhado para o Hospital Evangélico, onde até ontem permanecia internado em observação. Ele sofreu um hematoma na testa.
Everaldo Felipe foi preso pela Polícia Militar (PM) e encaminhado para o 3º Distrito, onde foi indiciado em inquérito policial. Lá, muito nervoso e chorando, negou que tivesse atirado a pedra. ‘‘Nunca tentei agredir ninguém. Ela (Elizete) é que deve saber o que aconteceu. Na hora da pedrada eu nem estava lá, tinha saído. Depois é que me falaram que tinham machucado o nenem’’, disse.
Segundo Felipe, a briga começou porque ele estava na casa de um vizinho chamado Orlando e não voltava para casa. ‘‘Até que ela me chamou e eu sai da casa dele. Ainda no portão começou a gritaria. Ela me chamou até de corno! Mas eu não vi a pedrada’’, disse. O vizinho também teria sido ofendido por Elizete. O pedreiro acrescentou que há tempos não vive bem com a mulher por causa de ciúme. Elizete desconfiava que o marido tinha uma amante.
Também no 3º DP, Elizete da Silva confirmou a acusação contra Everaldo Felipe. A briga, ela disse, começou realmente porque o marido estava no vizinho e não voltava para casa. ‘‘Eu pedi ‘faça o favor’ dele vir até em casa porque eu queria conversar. Mas ele não veio e mandou o vizinho. O vizinho não é meu marido’’, disse.
Segundo ela, Felipe começou a ofendê-la ainda na casa do vizinho e depois foi até o portão, onde continuou discutindo. Em seguida, jogou a pedra contra ela, que acabou atingindo Lucas Vinícios. ‘‘Não foi a primeira vez que ele tenta me agredir. Ele já me ameaçou até com foice’’, afirmou. ‘‘Além de tudo, não trabalha, vive bebendo e não quer saber nada da vida. E ainda arrumou amante.’
Como houve contradições nos depoimentos da mãe e do pai de Lucas Vinícios, o delegado do 3º Distrito, Jurandir Gonçalves André, liberou Everaldo Felipe ainda de manhã. Ele considerou ‘‘fraca’’ a prova apresentada pela mãe e insuficiente para configurar o flagrante. ‘‘Durante o depoimento, ela vacilou em alguns pontos’’, explicou o delegado.

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