Ainda com os olhinhos fechados, eles são ligeiros em disputar uma das tetas da mãe. Também pudera, são 12 - eram 15 - para apenas 10 vagas de leite quente. Eles chegaram no começo da semana e estão tendo que dar um duro danado para sobreviver. São os filhotes de Paloma, uma cadela mestiça que está estreiando na difícil tarefa de ser mãe. Dificuldade agravada pelo tamanho da ninhada.
''Três já morreram de fome durante a noite, porque nem todos conseguem mamar'', lamenta o dono dos animais, Milton Tavares. Ele e a esposa, Maria Coutinho, estão se revezando para auxiliar na amamentação. Com uma pequena mamadeira e leite de vaca, alimentam os filhotes e também a mãe. ''Acho que ajuda a fortalecer a Paloma também''.
Ainda um pouco desorientados sobre como cuidar dos bichinhos, o casal esbanja carinho e dá um bom exemplo do que é amor e responsabilidade com os animais. ''Se Deus quiser, não vai morrer mais nenhum. Vamos cuidar até crescerem e depois veremos o que fazer. Se ninguém quiser, a gente fica com eles; o que não pode são esses animais ficarem sem cuidados'', observa Maria. Mãe de dois filhos, um de 30 e outro de 21 anos, ela se diverte ao lembrar que não teve tanto trabalho com a própria prole. ''Imagine, eles não deram trabalho, não''.
De acordo com a veterinária Patrícia Nasser Gardemann, o casal pode ajudar a cachorra realizando tarefas que ela pode não dar conta em função de ter tantos filhotes. ''Em relação ao leite, precisa ser o específico para animais, que vem em pó e é diluído em água. Se não for esse, a opção é dar o leite de vaca com baixa lactose. O que precisa é estar sempre morno''. Outra iniciativa é passar uma gaze ou algodão úmidos nos cachorrinhos. Isso fará com que eles urinem e defequem. ''Senão eles vão reter urina e fezes e isso fará mal a eles''.
A especialista ainda orienta que os bichos tomem vermífugo e que sejam cobertos, principalmente à noite. ''Eles não podem passar frio, senão morrem de hipotermia. Fora isso, é acompanhar até que se desenvolvam e, com 30 a 45 dias, dar a primeira dose das vacinas''.
Por enquanto, Milton e Maria estão conseguindo alimentar os animais. ''Ração a gente trabalha e dá um jeito de comprar'', diz Tavares, que é carvoeiro e proprietário de um bar. Com donos assim, o destino da família de Paloma só pode ser feliz.

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