O marceneiro Celso Marion Schrott, 34 anos, e a dona-de-casa Cristiane dos Santos, 21 anos, acusam o Hospital e Maternidade Hauer de negligência e maus tratos, o que teria gerado a morte do filho deles no dia 9 de julho deste ano. Taynan Santos Schrott nasceu às 13h35 do dia 8 aparentemente bem de saúde. Morreu às 6 horas do dia seguinte e até hoje ninguém sabe porquê. O médico Ademir Antonio Marques Roque, que trabalha na maternidade, afirma que somente o laudo do Instituto Médico Legal (IML) poderá explicar a causa da morte da criança. Ele defende as enfermeiras do hospital e nega a acusação de maus tratos.
O corpo da criança foi levado ao IML há mais de dois meses. A demora do IML em entregar o laudo é outro drama enfrentando pela família Schrott. O marceneiro reclama que os funcionários do instituto não lhe respondem quando ficará pronto o documento, peça fundamental para que ele entre com um processo contra o hospital. Sandra, que é responsável pelo protocolo de exames do IML e revelou apenas seu primeiro nome, disse que o laudo inicial sequer foi protocolado. Isso deve acontecer antes dos exames serem realizados, o que revela que os resultados ainda vão demorar.
Enquando aguarda o laudo, o casal lembra os dois dias que ficou no hospital. Entre outras coisas, Cristiane afirma ter sido maltratada pelas enfermeiras. Schrott diz que sua mulher foi discriminada. ‘‘Quero justiça’’, afirma ele, em prantos. ‘‘Sou simples, sou desdentado, mas quero que me respeitem. Tratam a gente assim porque somos pobres’’, reclama.
Menos emocionada que o marido, Cristiane afirma que quando o filho começou a passar mal, por volta das 21 horas do dia 8, chamou uma enfermeira que teria dito que os gemidos e a cor roxa da criança eram naturais, devido ao menino ser recém-nascido. Pouco depois, Cristiane teria chamado novamente a enfermeira, que levou a criança para uma incubadora. Cristiane nunca mais viu o filho. Sequer foi ao enterro. ‘‘Eu estava muito ruim. Não queria ver ele morto’’, conta.
A dona-de-casa afirma que o bebê engoliu líquido amniótico durante o parto, fato que não é descartado pelo obstetra Ademir Roque. O médico, que apesar de não ter cargo administrativo diz estar ciente do que ocorre na maternidade, não acredita que Cristiane tenha sido mal tratada. ‘‘Ela não foi mal atendida’’, afirma. Roque confirmou que a criança nasceu de parto normal e em ‘‘perfeito’’ estado de saúde. Para ele, a morte pode ter sido causada por mal formação genética.

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