Josoé de CarvalhoUmebara: preparo de deficientesDe acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Ação Social, 242 deficientes visuais residem em Londrina. O casal Osvaldo Satoshi Suzuki (41 anos de idade) e Idalete Rosa (41 anos), deficientes visuais e moradores do conjunto Maria Cecília (zona norte), acredita que os cursos a serem promovidos pela Adevilorc virão em boa hora. Com dificuldades para encontrar emprego, os dois sobrevivem como autônomos. Ele produz artesanatos com barbante e ela é massagista - formada em cursos do Senac -, atendendo a domicílio.
‘‘Esses cursos podem nos ajudar bastante. Nós necessitamos mesmo de uma melhor formação profissional. As pessoas, em geral, não acreditam que os deficientes visuais sejam capazes de desempenhar atividades produtivas. Ainda há preconceito, discriminação’’, ressalta Idalete Rosa. ‘‘Com treinamento, meu marido e eu poderemos desempenhar nossas atividades com mais qualidade e ampliar nossa clientela. E também sempre é bom aprendermos coisas novas.’’
O técnico em contabilidade Alexandre Coitinho, 18 anos, deficiente visual em consequência de uma catarata congênita, passou por seis cirurgias e tem dificuldades para enxergar apenas à distância. Ele já trabalhou em um supermercado e em uma lanchonete, mas atualmente está desempregado. ‘‘Os cursos especiais para deficientes serão de grande importância, porque os colégios não nos preparam para o mercado de trabalho. Precisamos de um treinamento mais direcionado às nossas limitações e condições especiais’’, comenta.
Na opinião dele, a relação dos deficientes com os colegas de trabalho e os patrões é quase sempre muito complicada. ‘‘Os colegas discriminam a gente, fazem piadinhas e brincadeiras de mau gosto. Às vezes, nós perdemos a paciência e isto é muito ruim para o desempenho de nossas atividades’’, diz Alexandre Coitinho. ‘‘Já com os chefes e patrões, o problema é outro. Por causa de nossa deficiência, mesmo que a gente se esforce, às vezes, não consegue fazer com perfeição uma atividade que exige muito da visão. E falta uma maior compreensão deles, para entender esse detalhe.’’
(Osmani Costa)

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