Casais usam vasectomia gratuita
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de abril de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em julho do ano passado, o mestre-de-obras Luiz Carlos da Cruz tomou conhecimento no posto de saúde perto de sua casa sobre um programa de vasectomia cirurgia de esterilização do homem realizado pela Prefeitura de Curitiba. Casado há 15 anos e pai de um casal de oito e 14 anos, ele e a mulher Sueli Ferreira Bueno, 31, realizaram três consultas, conversaram sobre o assunto e não tiveram dúvidas: escolheram a vasectomia como forma de evitar uma nova gravidez.
Eu não me arrependi, até porque não quero mais ter filhos, mesmo se casar com outra mulher, diz Luiz Carlos, que tem o perfil médio da maioria dos 1,2 mil homens, pais de dois a três filhos e idade entre 30 e 40 anos, que optaram por esse método de contracepção desde junho de 2000, quando a prefeitura implantou as cirurgias de vasectomia ambulatorial nas unidades de saúde do município.
O programa faz parte de uma série de ações de planejamento familiar aconselhada pelo município, mas acabou se destacando por ser pioneiro no País. A ousadia de ser a primeira cidade e única, por enquanto a adotar um processo considerado polêmico acabou rendendo, inclusive, o Prêmio Nacional de Programas Inovadores e com Êxito, concedido pelo Ministério da Saúde.
De acordo com o coordenador do programa, Javier Edvin Jhimenez Boza, a cirurgia de vasectomia nos ambulatórios das unidades de saúde é uma consequência do Programa Mãe Curitibana, idealizado para garantir assistência integral à gestante. O objetivo era reduzir a mortalidade materna e infantil, diz Boza, ressaltando que a cirurgia é prioritariamente indicada em casos de risco à saúde.
A vasectomia é também muito mais segura do que a laqueadura cirurgia de esterilização realizada em mulheres que normalmente é feita em hospital e necessita de anestesia geral. No início, a cirurgia foi implantada em apenas duas unidades. Com o sucesso, foram realizadas 142 cirurgias em 2000.
Tanto que a prefeitura decidiu ampliar o atendimento. Hoje, a vasectomia é feita em cinco unidades de saúde (Campo Comprido, Boa Vista, Fazendinha, Ouvidor Pardinho e Vila Hauer). Na matriz do Novo Mundo a vasectomia é feita no hospital local. E até o mês que vem será estendida também para o Pinheirinho. Desde o início foram feitas 1,2 mil intervenções.
Uma das principais vantagens do programa é o baixo custo. A cirurgia em ambulatório custa R$ 64,77 contra R$ 145,05 de uma vasectomia hospitalar.


