Casa Verde busca professores voluntários
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

A Missão Casa Verde precisa de professores voluntários. O público-alvo do projeto é formado por pessoas que estão à margem da sociedade, como viciados em drogas que querem se reabilitar, moradores em situação de rua, prostitutas e travestis. A organização quer ofertar aulas de reforço escolar para cerca de 15 pessoas, com faixa etária bastante ampla, variando de 19 a 50 anos. O projeto Missão Casa Verde é um trabalho de ressocialização em Londrina, com base no Evangelho de Jesus Cristo, e se mantém por meio de doações e trabalho voluntário.
O programa precisa principalmente de professores de Português, Matemática e de cursos profissionalizantes. "As aulas de reforço escolar seriam ministradas aqui, já os cursos profissionalizantes podem ser realizados aqui ou na comunidade. Temos uma parceria com uma escola da zona leste, que cede uma sala com 13 computadores. Em troca ofertamos serviços de manutenção do colégio durante as férias, como pintura e jardinagem", explica o responsável pelo projeto, Márcio Eduardo Silva. A escola também cede a quadra de esportes para os internos da Casa Verde jogarem bola. "Tem também uma horta no colégio que a gente cuida. A gente produz e vende mudas de salsinha, cebolinha e hortelã", explica.
Segundo Silva, a maioria das pessoas atendidas, no início, acredita que não conseguirá resolver os problemas do passado e voltar a viver em sociedade normalmente. "Mas elas conseguem sair da cena de tortura e abuso da infância, por exemplo, e podem ser o que quiserem. Está sendo muito legal. A gente vê nelas a empolgação de que podem fazer isso", explica, informando que com o apoio de uma psicóloga voluntária.
De acordo com o responsável pelo projeto, a Casa Verde virou um "modelo" de recuperação urbano. "Diferentemente daquelas instituições que fazem a reabilitação no sítio, aqui a recuperação acontece dentro da cidade, perto dos dilemas urbanos. A pessoa ouve barulho de carro, recebe visitas, vai todo domingo para a igreja no centro, joga bola. Isso proporciona menos angústia. Muitos preferem vir aqui justamente porque fica dentro da cidade", ressalta.
Segundo ele, o projeto trabalha com essas pessoas desde o horário em que elas acordam até a hora em que vão dormir. "Precisamos encher essa grade para não deixar as pessoas ociosas. Na parte da manhã elas trabalham fazendo caixas de madeira na marcenaria. Na parte da tarde eles fazem uma reflexão e participam de uma escola bíblica. À noite recebem reforço escolar. Para isso, a Casa Verde precisa de professores voluntários", destaca.
Sobre as atividades de marcenaria, Silva destaca que os internos produzem cachepôs e peças de jardinagem feitas com madeira reciclada de paletes e caixotes de feiras. "Aprendemos como fazer vendo vídeos na internet. Eles serram, lixam e montam os objetos", aponta.
EXPERIÊNCIA
Silva se recorda de como esse trabalho começou, em março de 2013. "No início foi feito com o coração, sem o planejamento ou estrutura adequada. Comecei na minha casa", diz ele se referindo a um pequeno imóvel no Jardim Pindorama, na zona leste. "Eu tinha dois quartos e coloquei os homens no quarto maior, com 24 m², e as mulheres em um outro cômodo, com 9 m². Na época eu dormia na sala", observa. Lá ele oferecia oficinas de tapeçaria, cultivo de horta e de produção de chaveiros. "Quando começou eu não tinha experiência e fui vendo o que dava certo e o que não dava", expõe. Ele ressalta que a estrutura era precária, mas foi um bom início. "As pessoas entenderam a simplicidade e o amor que eu tinha e ajudaram a cuidar do projeto. Cheguei a colocar naquela casa 18 pessoas", lembra.
Em setembro de 2015 a Missão Casa Verde mudou para uma casa na Avenida Robert Koch, perto do Hospital Universitário. Hoje, abriga 15 pessoas com o dobro de espaço em relação ao imóvel anterior. "Agora a gente prioriza a qualidade de moradia. Temos oito pessoas em um quarto e seis mulheres em outro quarto. Estamos com o número certo de pessoas em relação à área", observa. E se no começo o projeto era conduzido apenas por Silva, agora são quatro pessoas que trabalham nesta missão.
O próximo passo, previsto para ser implantado em março, será alugar um segundo imóvel para fazer a casa de integração, na qual a pessoa poderá residir e sair para trabalhar. "A gente acredita que quanto maior a qualidade do trabalho que oferece, maior a chance dessa pessoa sair da rua", aponta. Nessa casa cada um pode cuidar das suas finanças. Terá também um funcionário ao qual cada interno terá de fazer a prestação de contas de tudo o que gastar, com o objetivo economizar o dinheiro na conta dele para o dia em que sair da casa.
Silva detalha que o programa possui seis meses de duração e cada pessoa é avaliada de dois em dois meses. "Se não passou no processo de avaliação, faz de novo. Se passou por esses seis meses e foi bem avaliado poderá ir para outra casa, na qual poderá permanecer por um ano para poder trabalhar. Quando saírem podem voltar para as suas casas", planeja.
SERVIÇO
Quem quiser colaborar com o projeto pode fazer uma visita na sede da Missão Casa Verde, na Av. Robert Koch, 433, Vila Operária, em Londrina, ou ligar para (43) 3356-3916/99656-7177


