Londrina - Um ano depois de vencer o Prêmio Londrina Cidadania, do Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL), o projeto Casa Verde está ampliando sua área de atuação. Criado há oito anos pelo ex-porteiro Márcio Eduardo Silva para ajudar moradores em situação de rua, principalmente dependentes químicos, o projeto agora é responsável também por ministrar oficinas de capoeira e de jiu-jitsu para 60 crianças e também oferece lanches para prostitutas e travestis. E voluntários ajudam com serviços de assistência social e psicológica para os dependentes químicos que vivem na casa, localizada no Jardim Pindorama, na zona leste.
A ampliação do foco, segundo Silva, foi necessária por causa da grande quantidade de pessoas que precisam ser assistidas na região. Segundo ele, são cerca de 50 adolescentes entre 12 e 14 anos envolvidos com o tráfico de drogas. "São pessoas que não vão para a escola e não participam de nenhum projeto. Eu quero ajudar as crianças da comunidade. Só gostaria de ter uma estrutura maior", afirma.
Sobre os travestis e prostitutas, ele conta que os vias quando passava pela Avenida Leste-oeste (área central) "Passei a levar lanches para eles durante a madrugada. No começo houve resistência e eles olhavam desconfiados. Achavam que eu queria tirar proveito. Depois alguns começaram a aceitar essa aproximação", revelou. Hoje já são oito pessoas que almoçam na Casa Verde aos domingos. "São pessoas doces e divertidas." Silva ficou sabendo que a maioria vem do Nordeste e não possui família por aqui. "São pessoas que não andam de ônibus, não frequentam shopping centers e evitam circular por supermercados por temer o preconceito. Eles têm direitos que nem eles sabem que possuem."
Sobre os R$ 5 mil do prêmio Londrina Cidadania, Silva relata que usou para dobrar a área do dormitório dos internos e também reservou parte do dinheiro para uma reforma do banheiro.

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