Casa será mesmo demolida
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segunda-feira, 28 de agosto de 2000
Silvana Leão De Londrina 
A Secretaria de Cultura do município informou ontem que esgotou as tentativas para evitar a demolição da casa dos padres, edificação construída na segunda metade da década de 30 para abrigar os primeiros párocos de Londrina. A casa encontra-se no mesmo terreno onde está sendo demolido o prédio que sediou por mais de 30 anos o Colégio São Paulo, na Rua Piauí, esquina com a Avenida São Paulo (centro).
A Construtora Quadra, que comprou o terreno da Sociedade FA DI Bruno (ligada aos padres palotinos) em julho de 1997, pretende construir no local um shopping center, que contará com duas torres de 15 andares de apartamentos residenciais. Em setembro do ano passado, quando a demolição da antiga casa paroquial foi anunciada, a Secretaria de Cultura deu início a algumas providências, como fazer o levantamento fotográfico e documental da construção. Seu tombamento foi cogitado, mas o pedido não chegou a ser encaminhado à gerência de patrimônio, em Curitiba.
A lei que dispõe sobre o patrimônio histórico, artístico e cultural do Estado é a de nº 1.211, de 16 de setembro de 1953, e diz que o tombamento de uma construção só é possível quando a mesma tem importância histórica para o Estado. De acordo com a gerente de patrimônio histórico e cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Vanda de Moraes, uma das dificuldades encontradas foi justamente o fato de tratar-se de uma lei estadual. Outra dificuldade, disse ela, foi a falta de apoio neste sentido por parte dos ex-donos. A própria entidade não demonstrou interesse no tombamento e inclusive apoiou a construtora em visita que fizemos à Câmara de Vereadores, para discutir o assunto.
De acordo com Vanda de Moraes, a secretaria chegou a apresentar algumas sugestões como forma de preservar a casa. Uma delas foi a de mantê-la como parte da nova construção, sendo usada, por exemplo, como uma recepção. A sugestão foi descartada pela construtora sob o argumento de que, por ser uma construção muito antiga, a estrutura da casa não comportaria a grande movimentação de terra ao redor. Infelizmente, vai ser mais um bem perdido em Londrina, a exemplo de outros, como a antiga Catedral e a primeira prefeitura (na esquina das ruas Minas Gerais e Santa Catarina), lembrou a gerente.
Diante das tentativas frustradas de impedir a demolição da casa dos padres, a Secretaria de Cultura propôs aos novos donos do terreno que seja mantida no shopping uma sala que preserve a memória da edificação. Idéia que, segundo Vanda de Moraes, foi acatada pela construtora. O acervo da sala deverá ser composto por partes da construção, como fechaduras típicas, janelas e telhas, entre outras.
A Folha tentou falar com o empresário Luís Carlos Pires, da Construtora Quadra, mas ele estaria em reunião e apenas confirmou, através da secretária da empresa, o acordo feito com a Secretaria de Cultura e a intenção de manter a sala dentro do complexo comercial. Em 60 dias, a demolição deverá estar concluída.
A Arquidiocese de Londrina também não quis se manifestar sobre o assunto. Segundo a assessoria de imprensa, na época da doação do terreno aos palotinos pela Companhia de Terras, Londrina pertencia à Diocese de Jacarezinho, e o repasse foi feito diretamente aos padres. O padre Reinaldo Picolatto, que poderia falar em nome dos palotinos sobre a venda do terreno, estava fora da cidade e não foi localizado até o fechamento desta edição.


