Um grupo de 15 a 20 adolescentes, que ocupou uma casa abandonada, se tornou um sério problema para os moradores do bairro Água Verde, em Curitiba. Na esquina da Rua Desembargador Motta com a Avenida Silva Jardim, a poucos metros do Hospital Pequeno Príncipe e do Shopping Curitiba, o mocó é considerado um esconderijo de delinquentes que usam drogas e praticam pequenos furtos na região. A casa, segundo a prefeitura, deve ser demolida a partir de hoje.
Os moradores indesejados foram expulsos por policiais militares anteontem, mas voltaram ao local no final da tarde de ontem pois não tinham onde dormir. Carregando colchões, cobertores e algumas peças de roupas, os jovens estavam visivelmente drogados. Um adolescente, de 16 anos, admitiu que os colegas cheiram cola. O uso da droga foi gravado pela rede de televisão SBT.
Acompanhado pelos policiais, o proprietário do imóvel havia afirmado que a demolição começaria ontem para tentar forçar o abandono da casa. O trabalho teria sido transferido para a manhã de hoje, segundo informações de uma funcionária da Fundação de Assistência Social (FAS).
O advogado José de Carvalho Lopes, morador do edifício Dona Sofia, em frente à casa, acompanhou da janela do seu apartamento a rotina do consumo de drogas dos jovens. Ele encaminhou um documento à Prefeitura de Curitiba pedindo a demolição da casa e a retirada dos menores infratores.
A maior reclamação dos moradores tem relação com o aumento dos crimes na região, uma das mais nobres de Curitiba. ‘‘Vamos achar outro lugar para a gente ficar’’, disse um menor, que prefere viver nas ruas apesar de ter sua família ter residência em Curitiba.
‘‘Está uma vergonha isso a풒, reclamou Nivaldo Araújo Valério, que trabalha no prédio em que mora o advogado. O problema preocupa tanto que Lopes lamentou a eficiência dos bombeiros. A casa pegou fogo há cerca de dois anos, mas o incêndio foi apagado pelos bombeiros. ‘‘Infelizmente eles apagaram. Senão, já teríamos resolvido o problema’’, afirmou.
A assistente social da Secretaria da Criança, Jacinta Guinski, que trabalha com abordagem de rua, disse que não há crianças entres os moradores do mocó. Segundo ela, os adolescentes e jovens já foram encaminhados para abrigos municipais, mas optaram por voltar às ruas. Jacinta, que faz uma listagem dos mocós de Curitiba, disse que não pode forçar os menores infratores a sair das ruas, pois isso dependeria apenas deles.

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