Moradores do Conjunto Vale Azul 2, em Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá), prometem derrubar todas as casas que forem desocupadas pela Caixa Econômica Federal. Anteontem à noite, pelo menos 50 pessoas derrubaram a casa onde morava o catador de papel Carlito Miranda, despejado no início da manhã. Logo depois da família ser retirada, a casa foi parcialmente destruída. Por volta das 20 horas, segundo vizinhos, moradores do bairro foram até o imóvel e começaram a derrubar as paredes.
A dona de casa Zilda Silva, disse que em menos de duas horas a casa estava no chão. ‘‘O pessoal vinha e dava algumas marteladas, parava, voltava e continuava derrubando as paredes até cair tudo’’, conta ela, que garante ter ficado dentro de casa só assistindo. ‘‘A forma como o despejo foi feito revoltou todo mundo aqui’’, disse Zilda. Ela reclama que, depois de prender Miranda e um filho menor na viatura, a polícia não esperou a família encontrar um local para se instalar.
A mudança, conta Zilda, foi levada para Maringá e os filhos de Miranda tiveram que buscar de carroça. A família despejada está ocupando outro imóvel no mesmo bairro. Ontem Carlito Miranda não quis falar com a reportagem.
Outro vizinho, Antonio Luiz do Nascimento, disse que a destruição da casa mostra a fragilidade da construção. ‘‘O pessoal derrubou fácil porque a casa não tem armação de ferro’’, denunciou.
O gerente de mercado da Caixa em Maringá, Luiz Henrique Sardi, disse que os moradores serão identificados e responsabilizados pela destruição do imóvel.
A Caixa pretende acionar a Polícia Federal para pedir abertura de inquérito. Até ontem, no entanto, a delegacia local da PF não havia recebido qualquer pedido de procedimento no caso. A Caixa promete responsabilizar criminalmente as pessoas identificadas como participantes da destruição do imóvel.

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