Casa para menor ainda depende de parceria
A Casa Transitória - que irá receber, triar e encaminhar menores em situação de emergência - ainda não tem prazo para ser implantada. O início do atendimento continua dependendo de parceria entre a Prefeitura de Londrina e a iniciativa privada. Só o acordo pagaria os salários dos educadores - cerca de R$ 4 mil mensais.
As primeiras reuniões com os empresários estão marcadas para a próxima semana. Não posso garantir a participação dos empresários, mas vamos tentar sensibilizá-los para a importância do projeto, afirmou ontem o presidente da Associação Comercial e Industrial (Acil), Abílio Medeiros.
Em reunião realizada ontem no Fórum, Medeiros deixou claro que o trabalho de convencimento dos empresários vai ficar a cargo da Vara da Infância e da Juventude - ou seja, da promotora Solange Vicentin e do juiz Dimas Ortêncio de Mello. O presidente da Acil explicou que os empresários querem conhecer os detalhes do projeto. Há dois anos a Prefeitura e a Justiça vêm lutando para implantar a Casa Transitória. A promotora Solange Vicentin argumenta que em Curitiba há 25 casas-abrigo, todas elas subsidiadas pela iniciativa privada.
Londrina já teve cinco casas-abrigo, mas hoje conta apenas com duas. Segundo a promotora, nenhuma delas recebe qualquer tipo de subsídio. As duas casas-abrigo atendem a 25 crianças e adolescentes. A Secretaria de Ação Social estima que existem cerca de 150 menores vivendo nas ruas da Cidade. A comunidade precisa se envolver na solução dos problemas sociais. Não se pode esperar que o poder público resolva tudo, porque não há recursos, afirma a promotora.
Solange Vicentin diz que, além da falta de subsídio, o projeto enfrenta o preconceito da comunidade, que resiste à implantação de casas-abrigo. Uma das evidências é a dificuldade de encontrar um imóvel para locação. Já temos os recursos para um ano de aluguel e vamos pagar adiantado. Mesmo assim nenhum proprietário se dispôs a alugar o imóvel, conta. Ela informa o Governo Estadual já disponibilizou os recursos para aluguel de mais duas casas que irão atender ao projeto - a transitória e uma de abrigo.
A manutenção e os equipamentos também já foram adquiridos e a Prefeitura vai disponibilizar os técnicos para o projeto. Solange Vicentin defende ainda a criação de um SOS Criança para centralizar e organizar esse tipo de atendimento.
Ela explica que o atendimento a menores em situação de risco é feito por vários órgãos - Prefeitura, Polícia Militar, Polícia Civil e Conselho Tutelar -, o que dificulta a agilidade da triagem e o encaminhamento dos casos. A polícia, por exemplo, apenas faz o encaminhamento emergencial, deixando o menor na instituição que oferece a vaga. A triagem é feita depois.
Solange Vicentin afirma que o sistema atual torna frequentes casos de crianças e adolescentes que chegam a uma instituição para ficar uma semana e acabam ficando meses e até um ano, até receber encaminhamento definitivo.





