Servir como ponto de apoio aos doentes de câncer que passam por Londrina, oferecendo a eles atendimento integral - desde acomodações para dormir, alimentação e roupa lavada, até terapia ocupacional, psicólogos etc. Tudo sem custo algum para o paciente. Esse é o objetivo da Casa de Apoio Madre Leônia, construída pelo Rotary Alvorada na Rua Coração de Maria, número 100 (área central), e que deve entrar em funcionamento até, no máximo, em fevereiro do próximo ano.
A Casa é administrada pelo Instituto Pio XII, das missionárias claretianas, e vai trabalhar, numa primeira fase, em parceria com a Associação Londrinense de Proteção à Criança com Neoplasia. Atenderá tanto adultos quanto crianças vítimas da doença. Para começar a funcionar, faltam apenas a efetivação de um convênio com a Prefeitura de Londrina, para ajudar no pagamento de funcionários, além de alguns utensílios - como por exemplo máquina de lavar e de passar roupas, aparelho de televisão, cortinas etc. O prédio já está pronto desde junho e muita coisa já foi conseguida através de doação.
Segundo a irmã Maria Giela, coordenadora da Casa de Apoio, a idéia de construir um local para receber doentes com câncer na cidade é antiga. Ela conta que muitas das pessoas que precisam fazer tratamento em Londrina - como quimioterapia e radioterapia, por exemplo - vêm de longe e às vezes não têm nem onde passar a noite. ‘‘O tratamento é muito caro e tem gente que fica numa perua Kombi, porque não tem outro lugar. Na Casa, a pessoa vai se sentir em casa’’, completa a apresentadora de tevê Cloara Pinheiro, presidente da Associação Londrinense de Proteção à Criança com Neoplasia.
A participação de Cloara Pinheiro não é por acaso. Há quatro anos ela perdeu a filha, Carolina Reeberg Stanganelli, com apenas cinco anos de idade, vítima da doença. ‘‘Carolina foi uma guerreira, tinha muita garra. Então por que eu também não poderia ser?’’
A apresentadora foi eleita presidente junto com o surgimento da associação, há um ano, e desde aquela época tenta viabilizar a construção de um espaço para receber as crianças doentes com câncer. Já a parceria com o Instituto Pio XII veio há pouco mais de um mês: com objetivos comuns, as duas entidades se uniram para atender tanto crianças quanto adultos.
A Casa de Apoio foi construída em terreno cedido pelas próprias irmãs e a construção demorou cerca de seis anos. No total, dispõe de aproximadamente 730 metros quadrados de área construída, divididos em quatro blocos (um deles será destinado às crianças) com 16 quartos e 40 leitos, mais áreas de refeitório, lavanderia, recreação etc. Segundo irmã Giela, para começar a receber os pacientes falta apenas a contratação de, pelo menos, quatro funcionários para atuarem na secretaria, lavandeira, cozinha e limpeza.
O prefeito Antonio Belinati informou ontem à tarde, através da assessoria de imprensa, que a contratação de funcionários por parte da prefeitura, e posterior cessão para a Casa de Apoio, não é viável. Um dos motivos é que o processo de contratação é burocrático e demorado. Para ajudar a Casa de Apoio, Belinati informou que a prefeitura poderá destinar uma quantia mensal para ajuda de custo.
Além da ajuda da prefeitura, Cloara Pinheiro também está utilizando o programa ‘‘Mulher’’, que apresenta na CNT, para falar sobre o projeto. Já conseguiu muita coisa, como por exemplo a pintura do setor infantil por artistas plásticos da cidade - o trabalho deverá ser realizado em breve.
A apresentadora destaca ainda que o projeto de construir um espaço específico para as crianças, administrado pela Associação Londrinense de Proteção à Criança com Neoplasia, não está descartado - apenas deixou de ter urgência por causa da criação da Casa de Apoio. ‘‘O que nós queremos é que essa Casa não tenha tristeza’’, afirma. Outras informações sobre como oferecer ajuda à Casa de Apoio poderão ser obtidas pelo fone (043) 322-2504.

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