Casa irá abrigar crianças com câncer
Uma casa para abrigar crianças portadoras de câncer e seus acompanhantes que vêm a Londrina fazer tratamento. Este é o objetivo de um grupo de voluntários que pretende instalar em breve um núcleo regional da Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia (APACN), com sede em Curitiba.
A necessidade de uma casa de apoio em Londrina para crianças carentes vem sendo discutida há alguns meses por profissionais da área médica e pessoas da comunidade. Na última terça-feira, foi realizada uma reunião para escolher a diretoria do núcleo. O próximo passo, segundo os voluntários, é organizar um projeto para levantar recursos e conseguir o local onde será instalada a casa de apoio.
A apresentadora de rádio Dirce Maria Sonego, uma das voluntárias, conta que começou a pensar no assunto há cerca de oito anos, quando houve a suspeita que estaria com câncer. Ela informa que teve de ir até o Instituto do Câncer (IC) e ficou sabendo das dificuldades enfrentadas pelas pessoas que vinham de fora fazer tratamento. O tratamento para casos de câncer é realizado, além do IC, no Hospital Universitário.
A hematologista e pediatra Denise Akemi Mashima, que também faz parte do grupo, observa que a própria doença já é desgastante e os pacientes que não moram em Londrina ainda precisam se preocupar com outros problemas, como gastos com a hospedagem. É importante dar um pouco mais de ajuda a estas pessoas, ressalta Denise. Lidamos com uma população simples que precisa de muita ajuda, não só médica.
Denise Mashima acredita que o primeiro passo é conseguir um lugar onde as crianças e seus acompanhantes possam ficar e se alimentar. Em seguida, segundo ela, é preciso se preocupar em levantar recursos para conseguir medicamentos e apoio psicológico, entre outros. A médica observa que é na fase inicial do tratamento que os pacientes têm de permanecer mais tempo internados.
Dirce Sonego explica que é interessante para o grupo de Londrina se unir à APACN por causa da experiência - a associação de Curitiba existe há 15 anos e é considerada de utilidade pública municipal, estadual e nacional. Vai ser mais fácil para nós porque não iremos errar tanto, observa.
Na semana passada, a presidente do Conselho Consultivo da APACN, Mariza Del Claro, esteve em Londrina para participar de reuniões com os voluntários. Vamos dar know-how para o grupo e oferecer apoio, afirma. A associação foi criada por um grupo de casais que tinham filhos com algum tipo de neoplasia e que viam as dificuldades de outras famílias com o mesmo problema, e que vinham de outras localidades.
Atualmente, são aproximadamente 300 voluntárias que realizam o trabalho voltado às crianças carentes. Mariza Del Claro explica que a casa oferece apoio social e psicológico e conta com 180 leitos para atender portadores de câncer de 0 a 17 anos. Todo o atendimento prestado - alojamento, alimentação, vestuário, tratamento ambulatorial, acompanhamento pedagógico e psicossocial - é dado a custo zero e pelo tempo que for necessário. Segundo ela, a manutenção da casa custa cerca de R$ 30 mil mensais. A arrecadação é feita de várias formas, como carnês de contribuição, bingos e bazares de roupas usadas.





