Casa histórica da RFFSA é depredada
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de abril de 1997
Guilherme Pupo 
Da Sucursal
Grupos de adolescentes posam para a foto diante da construção abandonada, depois de pichar uma das paredes da casa centenária. A cena se repete todos os finais de semana, na beira da ferrovia Paranaguá-Curitiba. A quatro quilômetros da estação Véu da Noiva, a Casa Ipiranga, construída no final do século passado, está quase toda depredada.
O patrimônio pertence à Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e foi construído no mesmo período da Estrada de Ferro (entre 1880 e 1885). Servia como moradia dos engenheiros de linha e nos últimos anos era utilizada para reuniões de diretores e funcionários.
Antes da depredação, a residência era toda mobiliada e contava com biblioteca, lareira, adega e até louças de cristal com a logomarca da Rede em alto relevo. O imóvel possui um pavimento e sótão, com varanda na cobertura. A arquitetura pode ser considerada exemplar, com cunhais em pedra e elementos decorativos nos requadros de portas e janelas além do beiral com acabamento em lambrequis de madeira.
O casa é um dos pontos do Caminho Itupava (que sai de Quatro Barras e cruza a Serra do Mar até chegar em Morretes). Nos finais de semana e feriados prolongados, o trecho chega a ser percorrido por 500 a mil pessoas.
Com o anúncio da privatização da RFFSA pelo governo e a consequente redução no número de funcionários, o local foi abandonado no segundo semestre do ano passado.
Os seguranças que fazem uma ronda pela linha nos finais de semana não conseguem impedir a prática de vandalismo no local. O cenário atual é de destruição. Da cerca ao redor da obra, resta apenas o portão. Grande parte das telhas já foi arrancada. Os móveis foram quebrados e alguns jogados pela janela. Uma fogueira armada no chão deixou um buraco no piso de madeira.
A cada semana, novas pichações decoram as paredes com palavras e desenhos obcenos, a assinatura dos vândalos ou o nome de torcidas organizadas de futebol. Com a redução no quadro de empregados, ficou difícil controlar a segurança do local. A Rede não tem como colocar policiamento definitivo na região, argumenta o chefe do Escritório Regional da RFFSA, Paulo Sidnei Carreiro Ferraz. A Rede fez um convênio com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e com a Secretaria Estadual da Cultura para tratar da conservação da casa, mas os prazos e as fontes de recursos ainda não foram definidos.


