Na tarde da última segunda-feira, um mar de lama invadiu a casa da empregada doméstica Vera Lúcia Alba de Melo, 36 anos, na Zona Sul de Londrina. E o problema não foi fruto do acaso ou de um temporal de verão. O lamaçal foi ''gerado'' por duas obras - da Prefeitura e da Sanepar - foram realizadas ao mesmo tempo.
Homens e máquinas de uma empreiteira contratada pela prefeitura iniciaram as obras de alargamento da tubulação para escoamento da água da chuva numa galeria que passa ao lado da casa de Vera. Enquanto isso, apontou Vera, funcionários da Sanepar decidiram consertar um vazamento na Rua China que, segundo os moradores, teria ''aparecido há mais de duas semanas''.
Quando a equipe da Sanepar dispensou a água que era retirada do buraco na galeria pluvial, a casa dela começou a ser tomada pela lama, que danificou móveis e encharcou um sofá. ''Eu não aguento mais. Já fiquei sem marido, minha filha ainda está sofrendo e agora mais isso ainda'', desabafou.
Este foi só o último episódio triste envolvendo a doméstica neste começo de ano. No dia 26 de janeiro, ela perdeu o esposo, Valdeci Martins Godoi, 37, e um neto, que estava na barriga da filha Simone Alba, 20. O marido e a filha estavam em um Monza que foi atingido por uma dupla de assaltantes que fugiam da polícia.
A assessoria da Sanepar informou que os funcionários cumpriram o procedimento correto - fazer o esgotamento da água que se acumulava no buraco do vazamento na galeria pluvial. Eles só não tinham conhecimento de que a galeria estava danificada. O vazamento foi consertado na terça e a água foi jogada em um terreno baldio.

mockup